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Internacional

O desafio emocional dos voluntários na busca de desaparecidos na Venezuela

13/07/2026 19:45 4 min lectura 15 visualizações

Voluntários na busca incansável

Após os duplos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o estado de La Guaira em 24 de junho, milhares de voluntários sem formação oficial assumiram tarefas de busca e resgate em resposta a uma atuação institucional considerada insuficiente. Entre eles se encontra um comerciante de 32 anos que continua explorando os escombros do complexo de habitação pública de 12 andares em Caraballeda, onde acredita que ficaram presos sua mãe Solangel, seu irmão Héctor e sua sobrinha Susej.

Com capacete azul e camiseta preta coberta de pó, o voluntário trabalha com agilidade sobre placas de concreto inclinadas, removendo baldes cheios de escombros. "Eu quero estar aqui até o final", expressa, motivado pela incerteza sobre o destino de seus entes queridos e o desejo de lhes dar um sepultamento digno, se necessário.

Esforços de busca em nível internacional

As operações de resgate contaram com participação internacional. Cães farejadores foram utilizados para rastrear a área, enquanto socorristas do Brasil, Estados Unidos, México, Honduras e outros países entraram com equipamentos de sensores especializados. No entanto, passados dez dias sem sinais de vida, o voluntário perdeu a esperança de encontrar vivos seus familiares.

Recuperou alguns objetos pessoais de seu apartamento 101: um pedaço de quadro, o violão de seu irmão Héctor, de 28 anos, e a viola de sua sobrinha Susej, de 10 anos, ambos músicos. Quase três semanas após a tragédia, os corpos ainda não foram localizados.

O custo emocional do resgate

O voluntário presenciou cenas tanto de esperança quanto de perda. Viu "pessoas vivas, pessoas ajudando", mas também "vários corpos em decomposição". Essas experiências deixaram uma marca profunda em seu estado emocional.

"Você está tentando lutar, se expor, resgatar, e nesse processo se depara com pessoas falecidas", relata. A separação temporária do local não alivia o peso psicológico: "O cansaço, o estresse te leva a isso". Reconhece que "está sendo como um trauma, é psicológico".

Sua rotina desde o primeiro dia da tragédia consiste em dormir poucas horas e acordar pensando no que aconteceu, quem trabalhou durante a noite e que corpos foram encontrados. Como o mais velho de cinco irmãos, evita mostrar fraqueza diante de outros e se afasta do perímetro ocasionalmente para desabafar, evitando as redes sociais.

Riscos nas operações de resgate

As operações de busca apresentam perigos constantes. O voluntário desceu várias vezes através de uma abertura de menos de um metro de diâmetro no sexto andar das ruínas, aberta à força com ferramentas emprestadas. Nestes espaços extremamente apertados, os socorristas só podem avançar de bruços, rastejando entre placas de concreto sustentadas precariamente com fragmentos de escombros.

Durante uma destas incursões, uma réplica sísmica—entre mais de mil movimentos telúricos posteriores registrados—sacudiu a estrutura enquanto se encontrava nos andares inferiores. "A estrutura cedeu", rememora, forçando os socorristas a evacuarem rapidamente o local.

Impacto pessoal e perdas materiais

O voluntário viajava em ônibus por Maiquetía, onde se localiza o aeroporto internacional parcialmente fechado, quando sentiu os terremotos consecutivos. Chegou à noite aos restos do que foi sua casa durante 13 anos, encontrando uma cena de caos: "pessoas correndo, gritando em desespero" em meio a uma nuvem de pó denso.

Desde então, a situação gerou perdas totais. "Ficamos sem nada, não temos rumo", lamenta. Atualmente dorme em barracas doadas junto a outros familiares afetados. Os terremotos deixaram aproximadamente milhares de desabrigados na região.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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