As cinco chaves para Duffy sobre a vacinação contra a febre aftosa
Especialista defende que qualquer decisão sobre continuidade ou suspensão da vacinação deve estar acompanhada de sistema sanitário sólido
A discussão sobre a continuidade ou eventual suspensão da vacinação contra a febre aftosa não pode ser analisada de maneira isolada. Para Sergio Duffy, qualquer decisão deve estar acompanhada por um sistema sanitário sólido, capacidade de resposta e consenso entre os setores público e privado.
Durante o conversatório organizado pela Associação Rural do Paraguai no marco da Expo Paraguai, o especialista apresentou cinco aspectos centrais que deveriam formar parte da análise sanitária e produtiva do país.
1. A vacina ajuda, mas não oferece uma proteção absoluta
Duffy sustentou que a vacinação é uma ferramenta de grande valor para aumentar a resistência dos animais, reduzir a transmissão do vírus e limitar as consequências de uma eventual emergência.
No entanto, advertiu que não representa uma garantia absoluta frente ao ingresso da doença.
"A vacina é boa, mas não é garantia para ninguém de que não vá entrar a febre aftosa", afirmou.
Nesse sentido, explicou que deve ser considerada uma terceira barreira, depois das medidas destinadas a impedir o ingresso do vírus e evitar que tome contato com animais susceptíveis.
2. O sistema deve se fortalecer desde agora
O especialista insistiu em que a preparação sanitária não pode começar apenas quando o Paraguai decidir modificar sua estratégia de vacinação.
"Há que fazer isso agora. Não se algum dia pensamos deixar de vacinar. Hoje temos que estar trabalhando para melhorar todas essas coisas", expressou.
Entre as capacidades que devem se consolidar mencionou a vigilância epidemiológica, a detecção precoce, o diagnóstico, a atenção imediata de suspeitas e a atualização dos planos de contingência.
Também destacou a necessidade de contar com fundos de emergência, acesso a vacinas ou antígenos e recursos suficientes para atuar sem demoras.
3. A rastreabilidade é uma ferramenta estratégica
Duffy ressaltou que um sistema sólido de rastreabilidade permite conhecer rapidamente de onde provêm e para onde foram os animais.
Essa informação resulta fundamental para investigar uma eventual emergência, identificar os estabelecimentos relacionados e limitar a propagação do vírus.
Além disso, a rastreabilidade oferece maiores garantias ao momento de demonstrar que o país eliminou a circulação viral e está em condições de recuperar seu status sanitário.
4. Deixar de vacinar não abre mercados automaticamente
Outro dos conceitos destacados foi que a suspensão da vacinação não assegura por si só novas oportunidades comerciais.
"A suspensão da vacinação não abre mercados, nem gera mais exportações, nem gera melhores preços", apontou.
Segundo explicou, deixar de vacinar pode eliminar um obstáculo para iniciar negociações, mas os resultados dependerão da solidez do sistema sanitário, da capacidade de demonstrar ausência da doença e das condições comerciais de cada mercado.
5. O consenso é essencial para qualquer estratégia
Finalmente, Duffy enfatizou a importância do consenso entre os setores público e privado para que qualquer estratégia tenha êxito.
A viabilidade de qualquer mudança na política de vacinação repousa não apenas em aspectos técnicos, mas também na capacidade de construir acordo entre os atores envolvidos na cadeia produtiva.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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