Sexta, 18 de Setembro de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Política

Despenhadeiro

13/09/2026 08:00 4 min lectura 267 visualizações

Foram como as 95 teses de Lutero pregadas no pórtico da igreja De Todos os Santos de Wittenberg, que trouxe consigo o maior cisma da Igreja católica.

Nesta, queriam que fosse público para que ficasse bem claro quem detém o poder real.

O ex banco do presidente Peña era alvo de um poderoso míssil à linha de flotação que abriu a questão no cotidiano financeiro. No afã de diluir o impacto, saltaram outros setores a pedir informes de outras entidades na ideia de instalar que todos têm algum morto escondido no armário enviando a seu passo a pior das mensagens para dentro e para fora e isso com a interrogação incluída de se estamos próximos de repetir o pesadelo de 1995.

Todos se fizeram de ingênuos e fingiram normalidade quando, na realidade, a coisa começou mal e vai terminar mal.

Nomear o ex titular da financeira antecessora de ueno como presidente do BCP para que este o fizesse banco a três meses da posse de Peña era demasiado e vulgar. Não contente com essa medida, a pior administração do IPS foi ordenada que seus fundos alavancassem a nova entidade fazendo levantar as sobrancelhas das suspeitas entre os contribuintes do sistema que já havia tido a experiência nefasta do Banco Nacional de Trabalhadores. E, já sabem, quem se queimou com leite quando vê uma vaca chora. O novo banco seguiu crescendo de forma exponencial fazendo circular a ideia de que o verdadeiro dono era Cartes e não Vázquez.

A coisa se complicou quando no ano passado Santiago Peña publicamente reconheceu que deixou de ser o acionista do holding matricial. Ali tudo ficou em evidência e as suspeitas se justificaram.

Como a política se tornou refém dos que têm dinheiro, as dúvidas sobre a emergência de um novo ator começaram a se multiplicar acicatadas pelo incidente grave de saúde do verdadeiro centro do poder deste Governo. Acreditaram que podiam buscar a substituição, ainda que salvasse o incidente cardíaco.

A sucessão acicatou os de dentro e os de fora.

Retornou Leite dos EUA que com sua presença à destra de "Deus pai" no almoço posterior ao grito do poder ratificou que suas críticas saem do próprio Cartes. Ao almoço não foram nem Peña nem Alliana que no aniversário do partido sacaram um comunicado chamando à unidade e questionando ao vice Leite que seus tours mediáticos devem ser substituídos por encontros com o povo.

Todos aparentam que não estão brigados quando, na realidade, Peña mais que ninguém vê o despenhadeiro cada vez mais perto. Nunca neste ambiente falta quem empurre alguém para que acabe como acabou o Número 2. O presidente in pectore terá que lutar pela sua vida política com todos os recursos que tenha que não são muitos para evitar o abismo que o observa agora com claridade.

Todos sabem que é melhor negócio empurrá-lo que salvá-lo e já sabemos como terminam essas histórias.

Com o pedido de informe lhe atiraram ao centro de sua referência autônoma. Ali onde estão a grana e os sócios de Peña. Em seu partido de adoção não tem a ninguém que evite o empurrão.

Com uma economia qualificada por seu crítico Leite como "pior que os tempos de pandemia", um incômodo de médicos e de mestres, a alta do custo de vida e dos combustíveis não são poucos os que não se ofereceriam para empurrá-lo ao despenhadeiro.

Quase não tem margem de manobra. Se quer manter-se com vida deverá prescindir de Cartes e para isso não tem nem capacidade, nem força nem desejos. Deve sair em breve para o exterior para seguir tendo a sensação de que preside este país.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.