Despem Taty Almeida, referência das Mães da Praça de Maio
Uma extensa fila de pessoas se formou desde o meio-dia na porta da sede sindical dos trabalhadores telefônicos (conhecida como Foetra) para oferecer um último adeus a Lidia Stella Mercedes Miy Uranga de Almeida, conhecida como Taty Almeida, que desde 1979 se incorporou às Mães da Praça de Maio para denunciar o desaparecimento de seu filho Alejandro Almeida, ocorrido em 1975, às mãos de um grupo parapolicial.
Seu compromisso com a busca pela verdade começou durante a última ditadura na Argentina (1976-1983) e se estendeu até o presente a partir de seu papel como presidenta da Associação Mães da Praça de Maio Linha Fundadora, uma das três cisões do grupo original, entre as quais também estão as Mães da Praça de Maio e as Avós da Praça de Maio, famosas pela busca de bebês apropriados.
Estela de Carlotto, titular das Avós, disse segunda-feira pela manhã ao sinal televisivo C5N: "Não suporto a ideia de não vê-la ou não estar onde ela está".
"Temos tido tantas atividades juntas, para rir, para chorar e para nos irritarmos entre nós também porque às vezes dizíamos coisas distintas. É a vida de companheiras que sofremos e continuamos sofrendo com essas perdas. Já somos muito velhas, quase centenárias", acrescentou Carlotto, de 95 anos, com evidente dor.
Com a morte de Almeida, já são poucas as integrantes originais do grupo que encabeçou a busca dos desaparecidos na Argentina, apesar de que as organizações se mantenham ativas e a renovação geracional permita continuar o reclamo institucional sob as consignas de "memória, verdade e justiça", lema do movimento de direitos humanos no país sul-americano.
O velório permitiu aos assistentes se aproximarem da sala onde o féretro de Almeida estava coberto de lenços brancos e objetos que as pessoas foram deixando conforme passavam, em um ambiente moderadamente festivo no qual amigos e próximos da ativista tocavam música.
Fabiana Almeida, filha de Taty, disse em uma coletiva de imprensa improvisada em frente ao Foetra: "Companheiros, o que ela queria era união, temos que nos unir para tirar esse terrível Governo, do qual não são apenas eles (em referência aos integrantes do oficialismo do presidente Javier Milei) responsáveis".
Todos os grupos de direitos humanos da Argentina criticam com dureza o Executivo de Milei porque reduziu fundos e desarticulou organismos estatais que impulsionavam iniciativas para esclarecer os crimes de lesa humanidade cometidos durante a ditadura.
"Mamã sempre dizia 'eu não quero morrer antes de encontrar os ossos de Ale. Nunca os encontrou, esses desgraçados nunca falaram nem disseram aonde o jogaram nem onde está", disse em referência aos responsáveis pelo sequestro e desaparecimento de seu irmão Alejandro Almeida.
Nota relacionada: Falece Taty Almeida, uma das fundadoras de Mães da Praça de Maio da Argentina
De acordo com a organização do velório, Almeida havia esclarecido antes de morrer que em seu despedida os assistentes não levassem flores, mas que optassem por doar esses fundos à causa das Mães da Praça de Maio.
"Não nos venceram" foi uma de suas consignas mais conhecidas em seus múltiplos discursos na Argentina para brindar apoio às lutas populares, trabalhadores despedidos e vítimas de violência estatal.
Desde que se soube do falecimento da ativista, sucederam-se as mensagens públicas de despedida de figuras como a ex-presidenta argentina, Cristina Fernández; o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel; o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo; e o atual governador da província de Buenos Aires e principal líder opositor no país, Axel Kicillof.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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