De investidores, investimentos e graus
O primeiro impacto é puramente financeiro para a República – a demanda dos títulos emitidos pelo Paraguai no mercado internacional. Ainda antes de obter a segunda classificação, os títulos paraguaios já mostravam solidez e spreads relativamente baixos frente aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, algo que continua refletindo-se em seus rendimentos atuais.
O título soberano em dólares com vencimento em 2036 rende hoje cerca de 5,5% ao ano, frente a aproximadamente 4,5% de um Treasury estadunidense a 10 anos. No prazo intermediário ocorre algo similar: a emissão de fevereiro de 2026 por USD 900 milhões, com vencimento em 2055, rende ao redor de 6,4%, frente a aproximadamente 5,0% de um Treasury a 30 anos.
Também se destacou a emissão em guarani de fevereiro de 2026 por G. 6,5 trilhões, equivalentes a uns USD 1.067 milhões à taxa de câmbio da data. Este título com vencimento em 2038 rende ao redor de 9,3% refletindo um prêmio maior que exige o mercado pelo risco em moeda local.
A reação do mercado após a notícia da S&P foi positiva, embora moderada. O título 2036 passou de cotar-se perto de 106% a aproximadamente 107%, mas alguns dias depois voltou a níveis similares. Em outras palavras, boa parte da melhora creditícia já estava incorporada nos preços antes do anúncio formal.
O aspecto legal, ou o que se conhece como "burocracia" sempre debatido e questionado, também entra na discussão. Os trâmites burocráticos e processos lentos foram historicamente uma das principais reclamações tanto de pequenos como de grandes empresários. Que se fez a respeito no último ano? Pudemos ver alguns avanços.
Em abril de 2026, o Governo lançou "Investor Pass", uma ferramenta que busca agilizar a residência permanente de investidores estrangeiros. Dependendo do setor, os investimentos mínimos partem desde USD 150.000 ou USD 200.000.
O Paraguai também avança lentamente rumo a uma maior digitalização. Para 2027 prevê-se que 100% das faturas sejam eletrônicas. Além disso, algumas entidades financeiras já começaram a conectar-se ao Sistema Unificado de Abertura e Fechamento de Empresas (SUACE) para simplificar a abertura de empresas e contas bancárias. Em paralelo, o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) lançou "Avanza MiPymes", orientado a facilitar a formalização e o acesso a serviços financeiros mediante processos digitais mais simples.
Outro avanço importante foi a entrada em vigor do Registro Unificado Nacional (RUN), que unifica o Cadastro e os Registros Públicos buscando simplificar trâmites e reduzir prazos em processos relacionados a imóveis.
E o investimento direto? Ainda não há dados oficiais por parte do Banco Central do Paraguai a respeito de 2025, mas ao fechamento de 2024 o fluxo líquido cresceu 15%, alcançando USD 931 milhões. Porém, boa parte desse aumento proveio de reinversão de lucros e capitalização de empresas que já operavam no Paraguai.
Um de meus indicadores não oficiais favoritos e altamente empírico é conversar com os amigos taxistas do Aeroporto Silvio Pettirossi. "Dom José, estão chegando muitos turistas ao Paraguai nos voos que você leva?". –"Muitos não, muitíssimos!, e não são turistas, dom Jorge, vêm fazer negócios". Um dado a mais, que me serve. Até a próxima entrega!
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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