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Cota de carne na Europa: diferenças no Mercosul antecipam reunião da FARM sem acordo definitivo

15/09/2026 03:45 3 min lectura 374 visualizações

A distribuição da cota de carne entre os países do Mercosul será um dos principais temas sobre a mesa nesta quinta-feira, 17 de setembro, durante a reunião da FARM, embora as diferentes posições existentes dentro do bloco façam prever que dificilmente exista uma definição entre os representantes privados.

A partir da Expo Prado de Montevidéu, Martín Olaverry, integrante da equipe de Valor Agro e Valor Agregado, explicou que existem diferenças entre os países a respeito do mecanismo que deveria ser utilizado para distribuir o volume, e inclusive posições distintas dentro das próprias gremiais do Uruguai.

Paraguai mantém uma postura clara e pretende que a cota seja distribuída sob um critério equitativo entre os países do Mercosul, evitando que o acesso fique concentrado principalmente naqueles fornecedores com maior capacidade exportadora.

No entanto, a partir do Uruguai existem setores que observam com conforto o mecanismo atual de "primeiro chegado, primeiro servido". Segundo explicou Olaverry, essa é, por exemplo, a posição que sustenta a Associação Rural do Uruguai.

O cenário gera diferenças inclusive dentro do setor privado uruguaio. Dias atrás, o presidente da FARM, Jorge Andrés Rodríguez, havia assinalado publicamente a existência de uma posição sem objeções importantes entre privados, mas a partir da Associação Rural do Uruguai se indicou que não existe ainda uma resolução consensuada nesse sentido.

A discussão também está atravessada pelas condições comerciais que enfrenta cada um dos países. Uruguai entende que o sistema atual pode resultar-lhe favorável, especialmente considerando as dificuldades que enfrentam outros importantes fornecedores e as exigências ambientais que começam a ganhar protagonismo no acesso ao mercado europeu.

Por esse motivo, Olaverry antecipou que a distribuição da cota estará presente na reunião de quinta-feira, mas considerou pouco provável que da instância surja um acordo definitivo entre os privados. "Me parece que não vai existir um acordo entre privados", assinalou.

Ao mesmo tempo, recordou que qualquer entendimento alcançado pelas organizações empresariais teria caráter de recomendação e não de resolução.

A definição final deverá dar-se no terreno político. "Este é um tema que têm que resolver os países, os governos, porque as cotas são dos países", explicou Olaverry a partir do Prado.

Desta maneira, a reunião da FARM aparece como uma instância relevante para aproximar posições e conhecer o posicionamento de cada país, mas não necessariamente como o âmbito onde ficará resolvido o repartimento. Paraguai chegará defendendo uma distribuição equitativa, enquanto que as diferenças existentes dentro do Mercosul antecipam uma negociação que posteriormente deverá trasladar-se aos governos.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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