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Internacional

Como uma figueira me ajudou a descobrir a prisão secreta onde fui torturada

13/06/2026 22:45 3 min lectura 17 visualizações
Cómo una higuera me ayudó a descubrir la prisión secreta donde fui torturada

A modesta casa parece uma encantadora residência nas imediações de Santiago do Chile.

A hera sobe pela parede que rodeia uma pitoresca fachada que conta com uma varanda adornada com flores em espiral.

Atrás da porta de ferro forjado há um pátio com palmeiras e uma velha figueira retorcida no jardim.

Parece o epítome da serenidade, mas as paredes deste lugar guardam recordações profundamente perturbadoras, ligadas ao passado violento do Chile. A velha árvore de seu jardim é um símbolo de como algo muito comum pode ajudar a transformar o horror e a dor em esperança e justiça.

Alejandra Holzapfel recorda a esperança e o otimismo que se apoderaram do Chile após a eleição do presidente Salvador Allende em 1970. "Todo mundo estava feliz, dançando, gritando", conta.

Para estudantes como ela, a presidência de Allende representava a possibilidade de um país totalmente diferente. "Queríamos uma sociedade mais justa, não um país como o de hoje, onde apenas os ricos vivem bem e o resto fica esquecido", diz, "pensávamos que as políticas de Allende eram maravilhosas".

Motivada por esses ideais, ela se uniu a um movimento estudantil de esquerda.

"Estava convencida de que tinha de fazer parte disso. Não podia ficar em casa sem fazer nada", afirma.

Como muitos jovens ativistas, ela se lançou à vida política participando de marchas, pintando murais e viajando ao interior para ajudar os agricultores. Mas em 11 de setembro de 1973, suas esperanças de construir uma sociedade mais justa foram frustradas.

"Às oito da manhã saí de casa e vi que as ruas estavam cheias de soldados", recorda Holzapfel. Quando chegou à universidade, já se espalhavam os rumores sobre o destino do presidente.

"Subimos ao telhado da universidade e presenciamos o bombardeio do palácio presidencial e choramos". O golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet marcou o fim da democracia e o início de uma ditadura repressiva de direita que durou 17 anos, até 1990.

O exército começou a deter os apoiadores do governo derrubado. Holzapfel conta que buscou refúgio dos golpistas em um hospital. Lá, duas mulheres a ajudaram a se passar por uma mãe de primeira viagem para evitar que a capturassem. Os soldados a deixaram ir: "Ei, não se preocupe, não é por você. Estamos procurando extremistas".

Mas ela não conseguiria escapar por muito tempo.

Um ano depois, em dezembro de 1974, vieram por ela. "Eram cinco para as cinco da manhã. Havia cinco homens fortemente armados", recorda. Enquanto revistavam sua casa, Holzapfel se adiantou para proteger sua mãe. "É ela", disseram os homens e a agarraram. "Me cobriram os olhos com fita adesiva. A partir desse momento, só podia ouvir ruídos". Enquanto a levavam, ela tentava se orientar na escuridão.

Holzapfel foi transferida para uma rede de centros de detenção secretos, entre eles um chamado Villa Grimaldi.

Após cinco dias de tortura, a transferiram para uma casa situada em uma tranquila rua residencial de Santiago, onde permaneceria em condições inimagináveis durante as três semanas seguintes. A casa era gerenciada pelas autoridades militares chilenas que a chamavam com o inquietante nome de "Venda Sexy" ou "A venda sexy".

As condições lá eram brutais. O apelido inusual e assustador se devia a que os reclusos eram mantidos

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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