Emitem ordem de captura contra Evo por distúrbios
A Fiscalía de Santa Cruz emitiu uma ordem de aprehensão contra Evo Morales pelos 53 dias de bloqueios na Bolívia.
La Paz, Bolívia. AFP.
A Fiscalía da Bolívia ordenou na quarta-feira passada a detenção do ex-presidente socialista Evo Morales, ao qual investiga por supostamente liderar as recentes protestas contra o governo que paralizaram o país por mais de 50 dias, informou a instituição. Entre maio e junho, a Bolívia registrou mobilizações nas ruas e bloqueios de estradas contra o governo do presidente centro-direitista Rodrigo Paz. Campesinos, operários e outros setores pediam sua renuncia por não dar uma saída à pior crise econômica no país em quatro décadas.
Durante os protestos, Paz recebeu o apoio dos Estados Unidos e seus parceiros do Escudo das Américas, integrado entre outros por Argentina, Chile e El Salvador, que denunciaram no início de junho "esforços para derrocar" o mandatário boliviano. O governo denunciou então uma tentativa de alterar a "ordem democrática" por parte de "narcoterroristas", e acusou Morales de estar por trás das medidas de pressão.
"No dia de hoje (...) foi expedida uma ordem de aprehensão" contra Morales, no marco de uma investigação pelos cortes de rotas, informou na quarta-feira à imprensa Roger Mariaca, fiscal geral do Estado. La Paz e El Alto foram as cidades mais afetadas pelos protestos, o que provocou um agudo desabastecimento.
Os preços dos alimentos dispararam, os medicamentos escassearam nos hospitais e nos postos de gasolina formaram-se filas que chegaram a durar dias. A investigação fiscal contra Morales parte de uma denúncia feita no início de julho pelo Comitê Cívico Pro Santa Cruz por os presumíveis delitos de "terrorismo" e "levante armado".
Este comitê é uma agrupação de empresários e líderes civis. À denúncia posteriormente somou-se o Ministério de Governo. Os protestos dispersaram-se em meados de junho, depois que o presidente Paz alcançasse um acordo com a Central Operária Boliviana, o sindicato operário maior do país. O governo também decretou um estado de exceção para desativar com ajuda de militares os bloqueios que persistiam.
Foragido
"Não vão nos intimidar", disse Morales, de 66 anos, que também denunciou uma "perseguição" em sua conta X. "Buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social", acrescentou. Rodrigo Paz assumiu a presidência em novembro e encerrou um ciclo de 20 anos de governos socialistas, liderados por Morales e Luis Arce (2020-2025).
Durante os dias de protestos, Morales assinalou em uma entrevista com a AFP que o país andino vivia uma "rebelião" contra um governo "submetido" aos Estados Unidos. O centro-direitista Paz busca dar uma mudança liberal à política econômica boliviana, que muitos manifestantes rejeitaram. Também se aproximou dos Estados Unidos, com o qual Morales rompeu relações em 2008.
O novo aproximamento de Washington desperta os alarmes dos partidários de Morales, que temem que preste seu apoio para detê-lo. Esta é a segunda ordem de captura vigente contra Morales, que está foragido desde outubro de 2024.
A polícia já o procurava por uma acusação de presumida trata de uma menor, com a qual Morales teria tido uma filha quando era presidente, um caso que ele nega e denuncia como perseguição. O ex-presidente, de 66 anos, encontra-se na zona cocalera do Chapare, protegido por campesinos que montam guardas permanentes para evitar uma incursão policial.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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