Ordenam a captura de Evo Morales pelos protestos de maio e junho na Bolívia
A ordem, dictada pelo fiscal Brayan Melgar e confirmada a EFE por uma pessoa próxima ao ex-mandatário, também atribui a Evo Morales os presuntos delitos de atentado contra a segurança dos meios de transporte, associação delituosa, instigação pública a delinquir e atentado contra a segurança dos serviços públicos.
Durante sete semanas, entre maio e junho, campesinos de La Paz e a Central Obrera Boliviana (COB) impulsionaram bloqueios de estradas, principalmente no ocidente e no centro da Bolívia, com o respaldo de grupos afins a Morales, para exigir a renúncia do presidente Paz como "única demanda".
Os bloqueios provocaram desabastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em várias cidades, deixaram pelo menos 16 falecidos, 13 deles pela falta de atendimento médico oportuno devido aos cortes de vias, e ocasionaram perdas econômicas superiores a USD 3.000 milhões.
A denúncia foi apresentada no início de julho pelos líderes cívicos de Santa Cruz, a região mais populosa e o motor econômico da Bolívia, a qual posteriormente se somou o ministro de Governo (Interior), Marco Antonio Oviedo.
A ação legal também inclui o máximo dirigente da COB, Marco Argollo, e o principal líder dos campesinos de La Paz, Vicente Salazar, que permanece em detenção preventiva desde 6 de julho por outra investigação relacionada a estes mesmos fatos.
O ex-presidente Morales nega ter promovido a renúncia de Paz e sustenta que as mobilizações buscavam que o Governo respondesse às demandas dos setores mobilizados. Não obstante, em 24 de maio escreveu na rede social X que o mandatário tinha apenas "dois caminhos" diante dos conflitos, "militarizar" o país ou convocar eleições nos próximos 90 dias.
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Depois de lograr acordos com setores como a COB, Paz decretou em 20 de junho o estado de exceção para levantar os bloqueios, após o qual a Polícia e o Exército se desdobraram nas estradas para retirar os obstáculos e restabelecer a circulação.
Morales permanece desde outubro de 2024 no Trópico de Cochabamba (centro), seu baluarte político e sindical, custodiado por centenas de seus seguidores para evitar que se cumpra uma ordem de captura contra ele por uma investigação por trata agravada de pessoas.
Neste caso, o ex-mandatário está acusado por sua presunta relação com uma menor de idade com a qual supostamente teve uma filha enquanto foi presidente em 2016.
Em maio, um tribunal da região meridional de Tarija declarou Morales em rebeldia e dictou uma nova ordem de captura porque não se apresentou no início do julgamento por este caso. A Polícia sustenta que espera o momento apropriado para executar essa ordem.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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