Como operava a rede de tráfico de migrantes de 'Doña Lupe', condenada nos EUA a 11 anos de cadeia
Tráfico de pessoas, sequestro, extorsão, roubo, vínculos com cartéis.
Tudo isso e mais incluía, segundo as autoridades estadunidenses, o portfólio criminoso da organização mexicana Hernández Salas.
Sua líder, Ofelia Hernández Salas, mais conhecida como "Doña Lupe" ou "La Güera", foi condenada nesta quarta-feira a 11 anos de prisão por um tribunal federal de distrito no Arizona por seu papel na rede "prolífica" que operou durante anos na fronteira entre México e Estados Unidos.
A mulher de 64 anos foi presa em Mexicali, a cidade do estado fronteiriço de Baja California de onde operava, em março de 2023, e extraditada para os EUA, onde se declarou culpada dos acusados que lhe foram imputados no ano seguinte.
"O tráfico transnacional de pessoas representa uma ameaça direta à nossa segurança nacional", declarou o vice-procurador-geral A. Tysen Duva, da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA, em comunicado ao conhecer a sentença.
"Os cruzamentos ilegais de fronteiras já são incrivelmente perigosos; a acusada apenas aumentou o potencial de perigo mortal que enfrentavam ao adicionar o roubo aos seus atos criminosos", concluiu.
Mas o que se sabe sobre Hernández Salas? Como operava realmente a quadrilha que levava seus sobrenomes? E quão relevante era no contexto mais amplo do tráfico de migrantes para os Estados Unidos?
"Embora a condenação responda a delitos imputados mais recentemente, de acordo com testemunhas de quem a conheceu, ela levava mais de 25 anos trabalhando" no tráfico de migrantes, diz à BBC Mundo o analista mexicano especialista em segurança David Saucedo.
O início de sua atividade criminosa, porém, remonta ainda mais atrás.
Natural do estado de Guerrero, Hernández Salas teria começado sua carreira delitiva nos anos 90 com falsificação de identidade, segundo as investigações do Departamento de Justiça estadunidense.
Em março de 2008 foi detida no condado de Orange, na Califórnia, por ter reentrado no país sem permissão, e em 2011 um juiz a condenou a 18 meses de prisão e três anos de liberdade supervisionada até que foi liberada e deportada para o México em outubro de 2012.
Seu histórico também inclui prisões em território mexicano anteriores à que a levou à sua condenação atual.
Em 2019, agentes da então Polícia Estatal Preventiva (PEP) de Baja California a detiveram em um domicílio localizado na colônia Fronteriza de Mexicali, onde encontraram sob sua guarda quatro pessoas originárias da Índia.
Segundo informaram na época as autoridades estaduais, um indivíduo natural do estado de Guanajuato que também foi preso no local declarou que estava há oito meses na cidade com a intenção de cruzar para os EUA, mas que "Doña Lupe" lhe ofereceu pagamento para trasladar os estrangeiros a um ponto de onde tentariam ingressar no país vizinho.
Um grande júri federal do Arizona apresentou acusações contra a mulher em 2021, com base nos casos de 15 migrantes que declararam ter contratado seus serviços entre maio de 2020 e junho de 2021.
A partir disso, foi definitivamente presa em março de 2023 em uma casa da colônia Zacatecas de Mexicali, após operativo desplegado por forças de segurança estaduais de Baja California e da Procuradoria-Geral da República (FGR) e coordenado com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.