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Paraguai

O valor econômico e social do trabalho de cuidado das mães no Paraguai

15/05/2026 11:45 3 min lectura 7 visualizações

A realidade do trabalho de cuidado no Paraguai

No Paraguai, 39% das mulheres são chefas de lar, encarregadas de sustentar economicamente suas famílias. Independentemente de seu estado civil, essas mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela administração do lar.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de subocupação e desocupação em mulheres alcança 11,56%, superior à dos homens, que é de 6,93%. Essa disparidade também se reflete nos rendimentos mensais: enquanto as mulheres percebem em média 4.403 mil guaraníes em sua ocupação principal, os homens recebem 5.841 mil guaraníes.

A invisibilidade do trabalho não remunerado

Um dado particularmente significativo revela que as mulheres dedicam 61,27% de seu tempo ao trabalho não remunerado (doméstico e de cuidados), em comparação com 25,26% que dedicam os homens. As tarefas de cuidado e criação — alimentação, educação, atendimento médico, transmissão de valores — carecem de remuneração e reconhecimento social.

Essas funções incluem organizar e administrar o lar, ensinar os filhos, cuidar deles em situações de doença, cozinhar e prepará-los para a vida adulta.

O valor econômico global do trabalho de cuidado

Segundo o Foro Econômico Mundial, a economia do cuidado é fundamental para o crescimento e desenvolvimento. Se o trabalho de cuidado não remunerado fosse compensado, representaria aproximadamente 9% do produto interno bruto global, equivalente a 11 trilhões de dólares.

Na América Latina, esse valor oscilaria entre 15,7% e 24,2% do PIB regional, o que o tornaria um dos maiores contribuintes à economia acima da maioria das outras indústrias individuais.

Um reconhecimento histórico no Paraguai

Durante o ano passado, um Tribunal da Infância e Adolescência realizou uma contribuição histórica ao considerar pela primeira vez o 'custo de criação' e a 'perda de oportunidade' de uma mãe para aumentar o valor da pensão alimentícia.

O desembargador Guillermo Trovato, que propiciou essa consideração, explicou que a criação implica múltiplas dimensões além do aspecto econômico. 'O custo de criação são milhares de itens', afirmou o funcionário, referindo-se a atividades como fazer a criança dormir, ler-lhe histórias, higienizá-la para a escola, acompanhá-la em tarefas escolares e oferecer-lhe paciência e dedicação constante.

Para Trovato, o verdadeiro custo de criação não se reduz necessariamente ao dinheiro, mas à dedicação diária que exige preparar um filho para a vida. Essa consideração judicial reconhece que quando uma mãe assume integralmente o cuidado de um filho, incorre em uma 'perda de oportunidade' laboral e de desenvolvimento pessoal.

Implicações para o reconhecimento social

Essa decisão judicial representa um avanço no reconhecimento da contribuição fundamental que as mães realizam na sociedade. A consideração do 'custo de criação' abre caminho para que se valorize econômica e socialmente o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres, visibilizando uma labor que permaneceu historicamente invisível nos sistemas de cálculo econômico e no reconhecimento legal.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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