Intenso bombardeio russo sobre Kiev prejudica esperanças de paz
Os intensos ataques russos na quinta-feira com centenas de drones e dezenas de mísseis contra Kiev causaram pelo menos 24 mortos, entre eles três crianças, informaram nesta sexta-feira os socorristas. A força aérea ucraniana garantiu na quinta-feira que a Rússia lançou 675 drones e 56 projéteis, principalmente contra a capital, e acrescentou que suas unidades de defesa aérea derrubaram 652 dessas aeronaves não tripuladas e 41 foguetes.
Jornalistas da AFP em Kiev escutaram as sirenes antiaéreas antes de que várias ondas de fortes explosões obrigassem os residentes a se abrigarem em estações de metrô. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que mais de 20 locais da capital resultaram danificados, incluindo edifícios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.
"Os trabalhos continuam em Kiev no local do impacto sobre o edifício, um ataque com míssil russo que literalmente arrasou um bloco de residências, do primeiro até o nono andar", disse Zelenski. Vinte e quatro pessoas, entre elas três crianças, morreram nos ataques, informou o serviço de emergências da Ucrânia na madrugada de sexta-feira, ao atualizar um balanço anterior.
Na quinta-feira, jornalistas da AFP presenciaram cenas caóticas enquanto os equipes de resgate removiam os escombros assistindo pessoas feridas e recuperando os corpos dos falecidos. "Tudo ardia. A pessoa gritava e pedia ajuda", relatou Andrii, residente de Kiev ainda em um pijama e com manchas de sangue na camisa, perto de um edifício residencial da era soviética que desabou.
Vários cadáveres foram resgatados dos escombros de um único edifício residencial destruído: três homens, três mulheres e uma menina, informou a polícia. As autoridades reportaram 45 feridos. "Estas não são, certamente, as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim. É importante que os aliados não guardem silêncio ante este ataque", disse Zelenski.
Vários aliados da Ucrânia condenaram o ataque. "A Rússia zomba abertamente" dos esforços diplomáticos pela paz, denunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Os dois países trocam com frequência ataques aéreos noturnos, e as autoridades do oeste da Rússia informaram nesta sexta-feira que os bombardeios ucranianos sobre a cidade de Riazã causaram a morte de quatro pessoas e deixaram pelo menos 12 feridos.
Moscou disse ter derrubado durante a noite de quinta para sexta-feira 355 drones ucranianos sobre cerca de 15 de suas regiões e a Crimeia anexada.
Novo revés para os esforços de paz
Os ataques russos na quinta-feira também causaram feridos nas regiões de Odesa e Kherson, no sul, assim como em Kharkiv, no nordeste.
Esta ofensiva de Moscou representa um novo revés para as tentativas de pôr fim ao conflito, depois que o presidente americano, Donald Trump, gerou uma tímida esperança ao negociar uma trégua de três dias entre ambos os países na semana passada.
Essa trégua, cujo início coincidiu com as comemorações em Moscou da vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945, em 9 de maio, esteve marcada por acusações de violações por ambas as partes.
Tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques com drones de longo alcance imediatamente após o término.
Nesta sexta-feira se cumpriu pelo menos a troca de prisioneiros de guerra anunciada por Trump uma semana atrás. Foram 205 de cada lado, segundo indicaram Kiev e Moscou. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, detalhou que "a maioria" desse contingente de soldados estavam em cativeiro desde 2022, o ano em que começou a invasão russa.
Por sua parte, o mandatário russo, Vladimir Putin, sugeriu no fim de semana que a guerra poderia terminar em breve.
O Kremlin minimizou rapidamente que os vagos comentários de Putin no sábado sobre um possível fim da guerra resultassem em qualquer avanço diplomático real.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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