Paradoxos da maternidade hoje
Em 2026 alguns dados relevantes sobre a maternidade em nosso país falam de ampliação legal do repouso de maternidade, com 18 semanas ininterruptas, extensível por 24 semanas, se houver complicações de saúde do filho recém-nascido. Também se estabeleceu um fuero maternal garantido para a mulher trabalhadora, que goza de inamovibilidade laboral desde o início da gravidez até um ano após o nascimento do filho. Além disso, melhorou-se a licença de amamentação após o retorno laboral, dando às mães a possibilidade de usar 90 minutos diários de sua jornada de trabalho para amamentar durante os primeiros 6 meses, podendo estender-se até os 24 meses. A lei reforçou também este ano os direitos do pai de família, ampliando a licença paternidade, promovendo assim a criação compartilhada.
Se o vemos de forma positiva, essas salvaguardas legais são muito promissoras, embora sempre reste a dúvida sobre se podem se converter em uma armadilha no mercado de trabalho, na hora das contratações, já que tantas licenças obrigatórias dão que pensar aos empregadores antes de contratar mulheres casadas e com abertura à maternidade.
É chamativo que, apesar das melhorias quantificáveis nas condições de vida, a diminuição da natalidade no Paraguai esteja experimentando uma queda tão notável, passando de ser uma das taxas mais altas da região a uma diminuição drástica para apenas 2 filhos por mulher e tendência à baixa. Em demografia estuda-se a relação entre essa taxa e a decadência dos sistemas de previsão social, da economia e da reposição populacional necessária para o desenvolvimento.
Sim se registram vários casos de gravidez adolescente entre 15 e 18 anos, os quais chegam ao termo e aumentam as estatísticas que em outros países diminuem com aborto legal e confidencial, o que não permite estimar bem a quantidade real de gestações existentes nessa faixa etária, já que nesses países as gravidezes adolescentes não chegam ao parto. Aqui um dos desafios relacionados a esse dado é o das uniões precoces que afeta a médio prazo o projeto de vida dos envolvidos.
Dados recentes mostram também que 37,3% das mães são casadas, e 31,4% são unidas, o que permite visualizar que cerca de 69% das crianças se criam com figuras maternas e paternas, enquanto há um percentual de 16,3% de mães solteiras, o que reflete uma estrutura familiar que se enfraquece.
Do ponto de vista cultural, a mensagem antinatalista de dissociar o sucesso pessoal da mulher da maternidade vai penetrando, embora não na proporção em que penetrou na mentalidade de mulheres de outros países, os quais hoje, diante do envelhecimento populacional e da baixa natalidade, buscam estimular suas cidadãs a repensar ter filhos, por pura necessidade de sobrevivência.
A beleza da maternidade e a abertura à vida não se impõem por lei, mas esta pode entorpecer ou favorecer o que a sociedade visualiza como bom para seu equilíbrio e desenvolvimento.
O antinatalismo tem sido política pública há mais de 30 anos, muito por pressão de organismos internacionais, mas também por uma crise geracional diante dos abalos familiares e comunitários, e das mudanças de paradigma ético. Seria preciso retomar a velha e confiável receita de brindar calor humano desde a família e a comunidade às mães, semeando nelas a semente de fé e esperança que lhes permita criar com fortaleza, retidão e amor seus filhos, tal como o fizeram nossas mães paraguaias em momentos históricos mais duros. A sociedade que deseje prosperar deve proteger e encorajar as mães de família. Feliz dia.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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