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Economia

Combustíveis: Tensão entre EUA-Irã complica preços

10/07/2026 10:46 4 min lectura 12 visualizações

Os emblemas privados reduziram nas últimas semanas o diesel comum em G. 730 e a gasolina premium em G. 500, enquanto a Petropar ajustou apenas G. 210 no diesel comum. Essa diferença marcou a análise do economista e analista financeiro Stan Canova em conversa com Última Hora.

"Estamos diante de um mercado livre; o consumidor decidirá e isso posteriormente afetará as decisões que cada um dos setores tomar", afirmou Canova. "Chama atenção que desta vez seja o privado a optar por um preço mais competitivo no mercado versus a estatal, que tem maior volume, poder de compra e poder de negociação com seus fornecedores".

QUEDA SUSTENTADA OU AJUSTES TEMPORÁRIOS? Questionado sobre se essas reduções marcam o início de uma queda sustentada ou são apenas movimentos pontuais, o analista foi cauteloso. Tudo dependerá da evolução da crise no Oriente Médio. "Tudo dependerá da crise Irã/EUA-Israel. Embora tenha sido firmado um MOU (Memorando de Entendimento), é claro que seu conteúdo não foi respeitado e o Irã iniciou ataques e os EUA devolveram o gesto. Há que estar atentos aos índices WTI, RBOB e Heating Oil. O WTI passou de mais de USD 110 o barril a menos de USD 70 após a assinatura do MOU. Agora possivelmente se desestabilize e suba", detalhou.

Canova lembrou que após o MOU registrou-se uma queda de mais de 20% nos preços do WTI (referência para as Américas) e do Brent (referência para a Europa), o que também reduziu os custos de logística. Entretanto, os posteriores ataques iranianos a embarcações geram dúvidas sobre a seriedade de qualquer acordo.

O especialista recomendou acompanhar de perto nas próximas duas ou três semanas os seguintes indicadores: WTI e Brent: principais referências do petróleo conforme a zona de comercialização; RBOB: gasolina virgem; Heating Oil: diesel virgem; e o Índice do Dólar (DXY): que já mostra sinais de alta, embora o dólar local se mantenha relativamente estável.

Sobre as gasolinas (comum e premium), Canova indicou que "deveriam" cair conforme as condições internacionais, mas advertiu que um fator chave escapa ao controle público: os níveis atuais de estoques e a velocidade de reposição.

"Essa informação do setor privado concretamente não a possui nem a Petropar nem o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) em sua Direção de Combustíveis, nem o MOPC. É gerenciada pela Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT), porque é quem cobra o Imposto Seletivo ao Consumo (ISC) conforme volume e preço pago na importação", explicou.

Por que os combustíveis seguem altos? Apesar da forte queda do petróleo bruto desde os picos de mais de USD 110 até em torno de USD 68-70, os preços locais não caíram no mesmo ritmo. Canova atribuiu isso principalmente a fatores geopolíticos e à dinâmica local de estoques.

"Ao cair para USD 68,58 após romper o teto de USD 110, estamos diante de uma mudança de tendência dado o ocorrido com o Irã e unicamente por causa do Irã", apontou. "Ao subir o WTI/RBOB/Heating Oil, a subida é rápida por baixo nível de mercadoria e rápida reposição. Mas ao cair, a queda é lenta por alto nível de mercadoria e lenta reposição. Você decide quem está faltando com a verdade; ao não haver supervisão não existe resposta".

O analista também mencionou a falta de consenso entre o setor privado e o Governo sobre como administrar as altas e quedas em relação aos depósitos e à reposição como um dos principais obstáculos locais para uma transmissão mais rápida das variações internacionais aos preços ao consumidor.

Canova advertiu que não é possível prever com certeza uma queda importante antes do final do ano, já que "o elemento político está acima do que poderia ser avaliado no WTI/Brent" e a evolução do conflito no Oriente Médio segue sendo incerta.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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