O FMI enfatiza a importância da transparência nas contas fiscais
Ênfase em transparência fiscal
A declaração do Fundo Monetário Internacional corresponde à consulta do Artigo IV, a revisão regular que realiza junto a seus países-membros. A linguagem utilizada é diplomática, embora o ênfase resulte significativo. Não se trata de um comunicado de alarma, mas tampouco de uma felicitação sem condições. O Fundo mantém uma avaliação favorável do crescimento, da inflação e da estabilidade financeira, embora introduza recomendações mais precisas sobre gestão fiscal e transparência.
A novidade reside em onde coloca o acento. Já não se limita a recomendar a consolidação de contas ou o retorno à regra fiscal. Agora insiste em registrar corretamente os atrasos, transparentar obrigações pendentes, melhorar a contabilidade pública e publicar uma estratégia para saldar essas dívidas. Este tipo de recomendação não surge por rotina, mas quando o problema foi identificado.
Uma avaliação condicionada
O comunicado está estruturado sobre uma série de observações matizadas. A economia cresce, mas persistem riscos climáticos e externos. A inflação está sob controle, mas a política monetária deve manter prudência. O sistema financeiro mostra-se resistente, mas o aumento rápido do crédito de consumo requer vigilância. O compromisso com a sustentabilidade fiscal mantém-se, mas antes é necessário transparentar os atrasos internos e reconhecer que o déficit será maior durante esse processo.
Este último aspecto resulta particularmente relevante. O FMI reconhece uma mudança no cenário fiscal. Até pouco tempo, a discussão centrava-se no retorno à regra fiscal. Agora a ordem mudou. Primeiro corresponde sincerar as contas; posteriormente, discutir o ritmo de retorno à meta fiscal. De fato, o Fundo projeta que o retorno ao déficit de 1,5% do PIB ocorreria somente em 2028. Na prática, prefere um déficit maior mas bem medido, antes que um cumprimento formal baseado em registros incompletos.
A importância de registros completos
Esta posição tem fundamento econômico. Se um Governo adia pagamentos para cumprir uma meta, economicamente o déficit não desaparece. A obrigação segue existindo, embora não apareça completamente nas estatísticas. Cumprir a regra fiscal acumulando obrigações impagas pode dar aparência de disciplina, mas deteriora a confiança nos dados oficiais. Quando o mercado desconfia das contas fiscais, o problema deixa de ser contábil e se converte em político, financeiro e institucional.
Por esta razão, a recomendação de dar a conhecer publicamente uma estratégia para saldar os atrasos internos e reforçar a gestão das finanças públicas deve ser interpretada com clareza. O Estado deve demonstrar que conhece quanto deve, desde quando o deve, quando o pagará e quais medidas adotará para evitar que o problema se repita.
Credibilidade baseada em cifras confiáveis
Durante anos, o país construiu credibilidade sobre regras fiscais, dívida moderada e prudência macroeconômica. Essa credibilidade já não depende exclusivamente do nível do déficit, mas de que as cifras reflitam fielmente todas as obrigações do Estado. É preferível reconhecer um déficit algo maior, mas transparente e consistente com a realidade, que exibir um cumprimento formal sustentado em pagamentos diferidos.
O comunicado do FMI não descobre o problema, o oficializa. Com linguagem diplomática, confirma o que já era evidente: uma regra fiscal é efetiva apenas se as contas são completas e confiáveis.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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