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Economia

Tensões geopolíticas no Oriente Médio impactam volatilidade dos preços de combustíveis

Redução de preços no mercado local dependerá da evolução da crise Irã-EUA-Israel

10/07/2026 11:45 4 min lectura 15 visualizações

Dinâmicas de preços no mercado local

Nas últimas semanas, as empresas privadas do setor de combustíveis registraram reduções de G. 730 em diesel comum e G. 500 em diesel premium, enquanto Petropar aplicou um ajuste de G. 210 em diesel comum. Essa diferença nas estratégias de preços foi analisada pelo economista e analista financeiro Stan Canova.

"Estamos diante de um mercado livre; o consumidor decidirá e isso depois afetará as decisões que cada um dos setores tomar", apontou o especialista. Canova destacou que é notável que o setor privado tenha optado por um preço mais competitivo em comparação com a empresa estatal, que dispõe de maior volume, poder de compra e capacidade de negociação com fornecedores internacionais.

Queda sustentada ou movimentos pontuais?

Quanto a se essas reduções representam o início de uma tendência de queda ou se tratam de ajustes temporários, o analista adotou uma posição cautelosa. Segundo sua avaliação, tudo dependerá da evolução da situação no Oriente Médio.

"Tudo dependerá da crise Irã-EUA-Israel. Embora tenha sido assinado um MOU (Memorando de Entendimento), é claro que seu conteúdo não foi respeitado e o Irã iniciou ataques e os EUA devolveram o gesto", explicou Canova. O especialista recomendou manter atenção aos índices WTI, RBOB e Heating Oil como referências-chave para compreender a evolução dos preços internacionais.

Canova apontou que o preço do WTI passou de mais de USD 110 o barril para menos de USD 70 após a assinatura do memorando, mas advertiu que os subsequentes ataques iranianos geram incerteza sobre a vigência de qualquer acordo.

Impacto de variações internacionais

Após a assinatura do MOU registrou-se uma queda superior a 20% nos preços do WTI (referência para as Américas) e Brent (referência para a Europa), o que também reduziu os custos de logística. Contudo, os subsequentes ataques a embarcações mantêm a volatilidade do mercado.

O analista recomendou acompanhar atentamente nas próximas duas ou três semanas os seguintes indicadores: WTI e Brent como principais referências do petróleo conforme zona de comercialização; RBOB (gasolina virgem); Heating Oil (diesel virgem); e Índice do Dólar (DXY), que apresenta sinais de alta embora o dólar local se mantenha relativamente estável.

Expectativas para gasolinas e fatores locais

Quanto a gasolinas comum e premium, Canova indicou que "deveriam" cair conforme as condições internacionais, mas advertiu que um fator-chave escapa ao controle público: os níveis atuais de estoques e a velocidade de reposição de mercadoria.

O especialista apontou que essa informação sobre inventários é gerenciada pela Direção Nacional de Ingressos Tributários (DNIT), órgão que cobra o Imposto Seletivo ao Consumo (ISC) conforme volume e preço pago em importações. Nem Petropar nem o Ministério da Indústria e Comércio acessam esses dados com a profundidade necessária para supervisionar adequadamente a dinâmica de preços.

Explicação de preços elevados apesar da queda do crude

Apesar da redução significativa do crude desde picos superiores a USD 110 até aproximadamente USD 68-70, os preços locais não caíram no mesmo ritmo. Canova atribuiu isso principalmente a fatores geopolíticos e à dinâmica local de estoques.

"Ao subir o WTI/RBOB/Heating Oil, a subida é rápida por baixo nível de mercadoria e rápida reposição. Mas ao cair, a queda é lenta por alto nível de mercadoria e lenta reposição", explicou o analista, apontando a assimetria na transmissão de variações internacionais aos preços locais.

Canova mencionou também a falta de consenso entre o setor privado e o Governo sobre como lidar com as subidas e quedas em relação a depósitos e reposição como um dos principais obstáculos para uma transmissão mais rápida e eficiente das variações de preços internacionais ao mercado local.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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