Com a escrita consegui tirar a tristeza e a dor do fundo da alma
Economista e empresário Jorge Mendelzon fala sobre como transformou o sofrimento em aprendizado através da escrita
- Fotos: Emilio Bazán
Após atravessar durante já três décadas uma situação complexa de saúde, múltiplas cirurgias, dor física e uma profunda depressão, o economista e empresário Jorge Mendelzon encontrou na escrita uma forma de transformar o sofrimento em aprendizagem e esperança. Em conversa com Augusto dos Santos no programa "Expresso", de GEN/Nación Media, Mendelzon fala sobre a aceitação, o medo, a empatia e a necessidade de manter a mente ativa como ferramentas para seguir em frente. Seu segundo livro, "De pé. Palavras para sustentar a alma", nasceu precisamente daquelas madrugadas de insônia nas quais encontrou na escrita uma via para converter a dor em sentido.
–Há dois ou três anos conversamos com Jorge Mendelzon por ocasião da publicação de seu primeiro livro, que é um testemunho que pretende ter efeitos quase pedagógicos. E hoje nos encontra um segundo capítulo. Como estás, Jorge?
–Muito contente, obrigado por me ter novamente em seu programa. Muito contente e buscando inspirar pessoas que estejam passando momentos de dificuldade.
–E como começa esta história?
–Por volta de 1996, eu tinha 29 anos e em decorrência de uma lesão que pensei que era eminentemente desportiva em uma bela partida de pádel nas férias, mas nunca imaginei que seria a última partida. Então fui de uma cirurgia a outra. Parecia que era uma questão de meniscos apenas, mas anos depois apareceu um tumor benigno já muito avançado e comprometendo os ossos da minha perna.
–É impossível pensar em tamanha consequência da prática do esporte, não é?
–Eu, como qualquer jovem, estava convencido de que era uma questão que se resolveria, era apenas uma questão de tempo buscando voltar às quadras, voltar à minha vida plena, e assim por diante, mas isso evidentemente mudou minha vida para sempre.
–Quais foram as diferentes etapas de compreensão da gravidade do problema?
–Levou-me muito tempo porque o diagnóstico foi muito tardio. Então comecei a me tratar como uma questão de menisco, tiraram meu menisco, comecei com um diagnóstico de artrite, que evidentemente tenho, vivo com isso até hoje, mas bem manejado se pode conviver com isso. Mas o que veio muito tarde é o diagnóstico do tumor que estava na sinóvia, que felizmente era benigno, por isso não fez metástase. Fiquei demasiado tempo no processo da negação, no processo da não aceitação. A única pergunta que circulava ou rondava minha cabeça era por que comigo. Tudo que buscava era resolver com a ilusão de voltar àquela vida anterior que evidentemente estava marcado que não seria assim.
–Uma das consequências da negação deve ser o tempo que se perde, não é?
–É uma perda de tempo, é uma combinação de amargura, de raiva, de frustração, de tristeza, de reclamação, que é um círculo vicioso da negatividade porque tudo que busca é virar a página, mas essa página o que tem que conseguir é nos mudar a nós e a mim levou demasiado tempo entender isso.
A ACEITAÇÃO
–Não é apenas uma questão de negação, é quase uma contradição em relação à sua especialidade também, porque não deve haver nada pior que a negação para a questão dos negócios.
–Assim mesmo é. A verdade é que o mais difícil nesta vida no que tive que experimentar é a aceitação. Teria sido muito menos traumático para mim aceitar que era uma condição que se instalaria. O que acontece também remontando ao passado é que eu era muito jovem. Nessa idade não se fala de problemas de saúde, entre os 35 e 40 anos a gente se projeta em sua vida, em seu futuro, em sua família, em sua carreira e eu tive que conviver com situações de saúde desde os 30 anos e não estava preparado. Venho de uma família onde me ensinaram a ser muito estruturado, tudo muito planejado, olhar para...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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