A qualidade do gasto público requer elevar o nível do debate
Limitações do debate atual sobre gasto público
A falta de soluções integrais gerou um debate limitado que desvia a atenção dos rubros significativos, concentrando a crítica de gastos desnecessários apenas no gasto corrente. Esta abordagem aproveita o conceito de que o gasto corrente é improdutivo, deixando de lado gastos superfluos em investimento de capital, como construções com baixo valor público.
É importante reconhecer que nem todo gasto corrente é improdutivo nem toda inversão de capital gera valor público. Portanto, a discussão sobre gastos superfluos e qualidade do gasto deve examinar ambas as categorias de investimento com o mesmo rigor.
Importância do gasto corrente em serviços essenciais
Quando o Estado investe adequadamente em salários dignos, capacitação contínua de recursos humanos, insumos para educação e saúde, manutenção de infraestrutura e comunicações, combustíveis para serviços de emergência, transporte escolar, bolsas de estudo e serviços básicos em estabelecimentos públicos, evitam-se problemas conhecidos como deterioro de infraestrutura, deficiências em serviços de saúde e educação, endividamento de famílias e limitações de acesso a mercados.
Análise crítica do gasto de capital
Por outro lado, existe gasto de capital que apresenta duvidoso valor público, beneficiando setores econômicos específicos que contribuem pouco ao financiamento, enquanto a cidadania geral financia por meio de impostos obras que não atendem suas necessidades.
Impacto na governabilidade
A situação se agrava quando surgem crises e descontentamento cidadão, gerando conflitividade que afeta a governabilidade, enfraquece a confiança nas instituições e compromete objetivos de desenvolvimento e democracia.
Questionamento da perspectiva econômica ortodoxa
A narrativa econômica convencional sustenta que o Estado deve reduzir gastos "superfluos", usualmente focados em gasto corrente, para liberar recursos. Assume-se que infraestrutura física como asfalto e pontes gera sempre retornos econômicos e sociais positivos.
Porém, a infraestrutura física pode apresentar retornos baixos ou até mesmo negativos por desconexão com necessidades reais da população e por ineficiências administrativas e sobrepreços. Por que então não se consideram como gastos superfluos, além de aspectos menores, os sobrepreços em obras, margens excessivas em compras públicas, obras com escasso valor público e gasto tributário sem avaliação de impacto.
Necessidade de replanteamento do debate
A discussão deve superar perspectivas reducionistas de cortes e repensar a análise da ineficiência estatal. É necessário ampliar e precisar o debate sobre o conceito e dimensão real de "gastos superfluos" e "qualidade do gasto", reconhecendo que o desperdício existe não apenas em privilégios burocráticos do gasto corrente, mas também em outros âmbitos que não recebem escrutínio por envolverem cifras elevadas e interesses particulares.
Rumo a uma avaliação integral
O retorno social e econômico dos gastos públicos deve ocupar o centro da discussão, tanto em gastos correntes quanto de capital. Apenas assim será possível melhorar as alocações orçamentárias, responder efetivamente às necessidades populacionais e garantir a sustentabilidade fiscal que respalda o desenvolvimento e a governabilidade democrática.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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