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Economia

Brasil vê nos Estados Unidos uma saída estratégica diante das restrições da China

28/08/2026 04:00 3 min lectura 2 visualizações

A ampliação temporária de 300 mil toneladas da cota estadounidense para carne bovina começa a ser observada pelo Brasil como uma alternativa comercial de peso, especialmente num momento em que o principal exportador mundial enfrenta maiores restrições para colocar produto na China.

Da indústria frigorífica brasileira consideram que a decisão dos Estados Unidos pode melhorar a competitividade de sua carne e gerar uma via adicional de colocação durante os próximos meses.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) afirmou nesta quinta-feira que a medida anunciada pela administração de Donald Trump deveria beneficiar diretamente as exportações brasileiras. Em declarações coletadas pela Reuters, o presidente executivo do sindicato, Paulo Mustefaga, sustentou que a abertura estadounidense chega num momento particularmente oportuno para o comércio exterior do Brasil.

"Poderá contribuir para mitigar os efeitos do esgotamento da cota de exportação para a China", destacou Mustefaga, que explicou que os Estados Unidos aparecem como uma alternativa adicional para a carne brasileira justamente num período de maior pressão sobre o comércio internacional.

A leitura brasileira adquire relevância porque a China continua sendo amplamente o principal mercado da carne bovina do Brasil, enquanto que os Estados Unidos se posiciona como seu segundo maior comprador. Neste cenário, dispor de melhores condições de acesso ao mercado norte-americano permitiria aos frigoríficos contar com uma ferramenta adicional para redirecionar parte da produção.

Além disso, a Abrafrigo destacou que, embora a ampliação estadounidense seja temporária, pode melhorar as condições de competitividade da carne brasileira. A decisão contempla três tranches de 100 mil toneladas durante setembro, outubro e novembro destinados ao contingente denominado "Outros Países ou Áreas", onde o Brasil compete junto com fornecedores como Paraguai, Irlanda, Japão e Países Baixos.

Para o Brasil, o atrativo principal está em reduzir o custo de ingresso de carne magra e recortes utilizados principalmente para a fabricação de carne moída nos Estados Unidos. Até agora, uma parte importante dos embarques brasileiros superava as cotas disponíveis e deveria enfrentar a alíquota extracota, uma condição que reduzia sua competitividade frente a outros fornecedores.

A nova janela aparece em momentos em que o Brasil precisa administrar com maior precisão seus destinos de exportação. A possibilidade de combinar menores custos de acesso aos Estados Unidos com restrições sobre os volumes dirigidos à China abre a porta a uma reatribuição comercial durante os próximos três meses, algo que poderia aumentar a presença brasileira no mercado norte-americano.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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