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Brasil busca ganhar espaço nos EUA e Paraguai analisa oportunidades, mas o mercado ainda não demonstra urgência

10/09/2026 04:00 3 min lectura 285 visualizações

Brasil chega a setembro com condições para disputar uma porção importante da nova janela de 300 mil toneladas de carne bovina habilitada pelos Estados Unidos, especialmente em um momento de forte retração das compras chinesas. Porém, desde a indústria brasileira alertam que o mercado norte-americano ainda apresenta preços pouco atraentes e que não existe uma necessidade imediata de colocar maiores volumes.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Brasil exportou cerca de 225 mil toneladas de carne bovina durante agosto, aproximadamente 29% menos que o recorde de junho. A queda foi explicada principalmente pela China, que passou de comprar cerca de 158 mil toneladas em junho para apenas 16,1 mil toneladas em agosto.

Esse cenário aumenta, conforme foi explicado, o incentivo brasileiro para buscar destinos alternativos. Os Estados Unidos aparecem entre os principais candidatos após habilitar a partir de 1º de setembro o primeiro de três lotes de 100 mil toneladas de recortes magros, administrados sob um sistema first come, first served e sem uma distribuição predeterminada por país.

Não obstante, fontes da indústria citadas por Faxcarne sinalizaram que o mercado estadunidense continua sem grandes mudanças e que os valores atualmente oferecidos não geram demasiado atrativo para acelerar negócios. Além disso, desde o Brasil explicaram que a indústria também não tem urgência para colocar produto, devido a que o abate permanece lento e China começa a mostrar alguns sinais de reativação.

Esse elemento introduz uma diferença importante em relação às expectativas iniciais. Brasil mantém uma capacidade exportadora muito superior à do resto dos fornecedores regionais e aparece como um dos candidatos naturais para captar boa parte do contingente, mas por enquanto não estaria obrigado a ingressar agressivamente enquanto os preços nos Estados Unidos não melhorarem.

Para o Paraguai, a oportunidade também existe, embora apareçam restrições diferentes. Em um momento de escassa oferta de gado, um exportador paraguaio consultado por Faxcarne sinalizou que compradores estadunidenses estão solicitando ofertas para aproveitar a nova janela tarifária, mas que os prazos e custos logísticos representam uma limitante importante para chegar dentro do período habilitado.

Conforme explicou a fonte, para ingressar rapidamente dentro da janela o Paraguai deve recorrer a alternativas logísticas mais custosas que o transporte marítimo tradicional.

Por outro lado, outra fonte da indústria disse a Valor Agro que os negócios com os Estados Unidos se mantêm nos preços dos últimos meses, mas o valor do gado reduz as opções de negociação, considerando que não se conta, temporariamente, com o mercado de Israel que absorve a dianteira e preços atraentes.

Assim, a nova cota mantém um forte potencial, porém tanto Brasil quanto Paraguai enfrentam desafios que dificultam uma resposta imediata e agressiva neste primeiro momento da oportunidade.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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