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Internacional

As urnas colocam à prova o desencanto juvenil na região

Frustração dos jovens latino-americanos com a política tradicional se reflete em baixos níveis de participação, mas protestas recentes mostram demanda crescente por representatividade

17/05/2026 11:15 4 min lectura 70 visualizações
Las urnas ponen a prueba el desencanto juvenil en la región

A frustração dos jovens latino-americanos com a política tradicional, um dos principais desafios para a democracia na região, é colocada à prova com as próximas citas com as urnas no Peru, Colômbia e Brasil.

O desencanto juvenil se reflete em baixos níveis de participação, mas as recentes protestas protagonizadas em vários países refletem uma demanda crescente por maior representatividade e por respostas concretas a seus problemas.

Estes desafios centrarão o debate no fórum Governos do Futuro: Expectativas da Juventude, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com o apoio da Agência EFE que se celebrará em Brasília nos próximos 19 e 20 de maio.

AS PROTESTAS NO PERU

No Peru, que celebra em 7 de junho o segundo turno das presidenciais, os jovens são os mais interessados pela política, mas 37% deles prefere votar em branco ou nulo antes que em Keiko Fujimori ou Roberto Sánchez, segundo uma pesquisa do Instituto de Estudos Peruanos (IEP).

Esse interesse se cristalizou na irrupção nas ruas da Geração Z no final de 2025, em protestas que varreram com a imagem de apatia dos jovens ante a crise permanente da política peruana na última década.

Yackov Solano, estudante de Comunicação Social, explica à EFE que sua pertença a este movimento social o fez decidir estudar Ciências Políticas, para estar preparado para entrar na política.

"Não falta participação juvenil, mas sim fortalecê-la", diz, acrescentando que é importante que o movimento não se divida e permaneça alerta ante a crise democrática do Estado. "Daqui a cinco anos nos toca", acrescenta.

CARÊNCIAS DA FORMAÇÃO POLÍTICA NO BRASIL

No Brasil, o panorama é similar: O interesse pelas eleições é crescente entre os jovens, como mostram os dados de inscrição de eleitores entre 16 e 17 anos, para quem o sufrágio é voluntário. Esse número disparou 78% nas municipais de 2024.

Não obstante, a participação juvenil é prejudicada pelas deficiências na educação cívica nas escolas, o que leva os jovens a buscar a formação política em casa, segundo explica a coordenadora de Mobilização e Campanhas de Pacto pela Democracia, Helena Salvador.

E no Brasil, o aprendizado doméstico está condicionado por uma profunda crise de legitimidade: Dados da pesquisa Quaest revelam que 43% da população não confia nas urnas eletrônicas que se usam no país.

OS ECOS DO ESTALO SOCIAL NA COLÔMBIA

18% dos jovens colombianos deixou de expressar publicamente suas opiniões políticas por medo de "se tornar vítima" do conflito armado, segundo uma pesquisa do Observatório Javeriano de Juventude.

Apesar disso, Mateo Ortiz, professor e pesquisador do Observatório Javeriano de Juventude, indica à EFE que a participação dos jovens colombianos na política cresceu depois do estalo social de 2021, que surgiu em rejeição a uma reforma tributária proposta pelo Governo de Iván Duque.

"Depois do estalo social se registrou a votação mais alta em muito tempo para eleições presidenciais", recorda Ortiz sobre os pleitos de 2022 nos quais venceu o atual mandatário, Gustavo Petro.

De cara às eleições de 31 de maio, o politólogo opina que os candidatos deveriam criar um programa integral de juventudes que responda a suas necessidades, evitar os cortes de orçamento e aproximar mais os jovens a espaços formais de debate.

ABSTENCIONISMO NA ARGENTINA

Na Argentina, a Câmara Nacional Eleitoral manifestou no início de maio sua preocupação com os baixos níveis de participação juvenil e pediu reforçar as políticas de formação cívica e educação eleitoral, com o objetivo de promover uma participação mais ativa, informada e sustentada no tempo.

Nas eleições legislativas de 2025...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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