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Internacional

"Apareceu um mundo de sonho": a história do químico suíço que experimentou a primeira viagem com LSD numa bicicleta

17/05/2026 11:15 3 min lectura 34 visualizações
"Apareció un mundo de ensueño": la historia del químico suizo que experimentó el primer viaje con LSD montado en una bicicleta

"Ao final da síntese, experimentei uma situação psíquica muito estranha. Apareceu uma espécie de mundo de sonho, uma sensação de unidade com o mundo".

O doutor Albert Hofmann, químico suíço, trabalhava num experimento rotineiro numa empresa farmacêutica de Basileia quando fez uma descoberta fortuita que mudaria sua vida.

Sua primeira experiência com o que se tornaria conhecido como LSD foi leve e intrigante.

Sua decisão de tomar a droga psicodélica três dias depois lhe provocou visões aterrorizantes e uma das viagens de bicicleta mais inusitadas da história.

Aviso: Este artigo contém descrições gráficas do consumo de drogas.

A história começou na sexta-feira, 16 de abril de 1943, quando Hofmann preparava um novo lote de dietilamida do ácido lisérgico, um composto que havia sintetizado pela primeira vez cinco anos antes.

Aos 37 anos, estudava plantas medicinais experimentando com o centeio-do-corvo, um fungo que cresce no milho, para comprovar se um fármaco derivado dele poderia ajudar as parteiras a prevenir hemorragias pós-parto. Devido ao seu nome em alemão, Lysergsäurediethylamid, o composto é agora mais conhecido como LSD.

Numa entrevista concedida à BBC em 1986, Hofmann afirmou que sua inesperada primeira experiência com a droga lhe recordava momentos "místicos" de sua infância em florestas e arvoredos. A sensação de "ver a verdadeira essência da natureza, sua beleza" o preencheu de felicidade.

Hofmann se perguntou se este estado aprazível e onírico estava relacionado de alguma forma com os cristais de LSD que havia estado purificando. Embora não tivesse ingerido o composto deliberadamente, era possível que lhe tivesse ficado algo nos dedos. Isto implicaria que a substância era muito potente. Decidiu comprovar experimentando consigo mesmo ao retornar ao trabalho na segunda-feira.

Cauteloso por natureza, começou com o que acreditava ser a dose mínima que pudesse ter algum efeito. "Comecei com 0,25 miligramas", lembrou, com a intenção de aumentar a quantidade apenas se nada acontecesse. "Mas essa dose tão pequena, a primeira de meus experimentos, resultou ser muito, muito forte", afirmou.

Após tomar a droga, Hofmann começou a se sentir mal e retornou para casa tambalejando numa bicicleta pelas ruas de Basileia. À medida que avançava o trajeto, as coisas ficaram estranhas. Sua visão se distorceu como se estivesse se olhando num espelho de parque de diversões. Quando chegou a casa, seu senso de realidade havia desaparecido.

Ao entrar em sua sala de estar, surpreendeu-se com o quanto tinha mudado. "A sala e os objetos que continha tinham uma forma, uma cor e um significado completamente distintos", lembrou em conversa com a BBC. Até uma cadeira comum parecia um "objeto vivo", como se se movesse de dentro para fora. "Era tão estranho que cheguei a temer ter enlouquecido", acrescentou.

As alucinações estranhas continuaram durante toda a noite. Uma vizinha amável que lhe trouxe leite como antídoto parecia ter se transformado numa bruxa. Em ocasiões, Hofmann sentia como se estivesse morto e tivesse chegado ao inferno. O químico apenas voltou à normalidade umas seis horas após ter tomado a droga.

Sem se deixar intimidar por esta experiência alarmante, consumiu LSD várias vezes mais durante as décadas seguintes para observar seus efeitos.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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