Paraguai precisa avançar para um modelo orçamentário focado em resultados
Economista defende transição de lógica histórica para gasto de qualidade vinculado a resultados verificáveis
A qualidade do gasto como eixo central
A discussão sobre as finanças públicas deveria focar-se não unicamente em quanto aumenta ou diminui cada rubrica do Orçamento Geral da Nação, mas na qualidade do gasto e sua capacidade para gerar resultados concretos. Assim o propõe o economista Aníbal Insfrán, que analisa o comportamento das transferências financeiras do Estado durante o primeiro trimestre de 2026.
Segundo o especialista, o Paraguai precisa avançar para um modelo orçamentário focado em resultados, deixando para trás uma lógica histórica ou inercial na alocação de recursos.
A qualidade do gasto exige passar de uma lógica de orçamento histórico para uma baseada em mandato, resultados e valor público
Revisão funcional do Estado
Insfrán aponta que melhorar a eficiência do gasto requer uma revisão funcional do Estado, instituição por instituição, para identificar possíveis sobreposições de funções, programas que não respondam mais às necessidades atuais ou estruturas com elevados custos administrativos.
O economista coloca a necessidade de fortalecer mecanismos que permitam vincular com maior clareza os recursos públicos com resultados verificáveis, promovendo processos de redesenho institucional quando necessário.
Se uma entidade não consegue vincular claramente seus recursos com produtos e resultados verificáveis, seu orçamento não deveria ser considerado automaticamente como gasto de qualidade
Uma maior eficiência do gasto permitiria melhorar a capacidade de resposta do Estado sem trasladar necessariamente novas pressões ao sistema tributário.
Comportamento de Serviços Pessoais
Quanto ao comportamento do gasto no primeiro trimestre, a rubrica de Serviços Pessoais passou de mais de G. 5,18 bilhões no mesmo período de 2025 para mais de G. 5,85 bilhões em 2026.
O desafio não passa por aplicar cortes lineares, mas por avançar para uma reforma do serviço civil que contemple uma folha de pagamento auditada, avaliação de desempenho, concursos e mecanismos de controle sobre novas incorporações. Igualmente, é importante fortalecer as regras de financiamento orçamentário para garantir sustentabilidade no crescimento do gasto.
Investimento público e perspectivas econômicas
Observa-se uma diminuição de 33,8% nos investimentos públicos durante o trimestre, equivalente a aproximadamente G. 416.891 milhões a menos.
Embora não seja possível determinar um impacto pontual sobre o Produto Interno Bruto sem modelos específicos, a continuidade dessa tendência poderia influir em áreas relacionadas com infraestrutura, logística e capacidade de crescimento econômico no médio prazo. O cenário macroeconômico oficial prevê um crescimento de 4,2% para 2026, impulsionado principalmente por setores como construção, energia e serviços.
Considerações sobre aposentadorias e pensões
Quanto ao aumento de 10,8% em aposentadorias e pensões, este dado inclui também pensões para idosos. A análise dessas alocações faz parte da avaliação integral da estrutura do gasto público e sua sustentabilidade no médio e longo prazo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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