As serpentes cumprem um papel fundamental no ecossistema paraguaio
Danilo Krause, especialista em serpentes, dedicou anos a pesquisar, estudar e resgatar esses répteis. "Comecei com isso investigando, lendo e conversando com amigos", conta o herpetólogo autodidata, que continua aperfeiçoando seus conhecimentos a cada dia.
No Paraguai existe um preconceito generalizado sobre as serpentes, refletido na popular frase em jopará "Mbóicha oitira garrote" (como víbora atrai o porrete), que expressa o temor generalizado a esses animais. Porém, na maioria dos casos não são venenosas e só atacam se se sentem ameaçadas.
Espécies no Paraguai
"No Paraguai temos umas 120 espécies de serpentes, das quais 15 têm importância médica", explica Krause. As serpentes venenosas se dividem em três grupos principais: a Crotalus (cascavel ou mbói chini em guarani), a Bothrops (jarara, com seis tipos distintos) e a Micrurus (mbói chumbe ou coral, com sete variedades). O especialista destaca que "o veneno é produzido na glândula de Duvernoy e é uma saliva altamente modificada".
Aumento de encontros durante inundações
Com o transbordamento de rios e córregos, as serpentes se aproximam mais das zonas urbanas. Krause aponta que todo o país abriga essas espécies, sendo as margens de cursos de água seus habitats principais. Durante épocas de inundações, quando suas tocas e refúgios se enchem de água, as serpentes saem à superfície em busca de novos espaços.
O especialista enfatiza a importância de não atacar esses animais: "Serpentes podemos encontrar em qualquer região do nosso território e o recomendável é sempre que a população não toque o animal, que não tente bater ou matar porque cumprem um papel fundamental".
Em caso de encontro com uma serpente, Krause recomenda comunicar-se com o quartel de bombeiros voluntários mais próximo para seu resgate e realocação segura.
Capacitações e educação
Krause realiza capacitações periódicas por meio de cursos breves, disponíveis em suas redes sociais, nos quais se ensina a identificar e resgatar serpentes. "A ideia é que a população possa manipular e saber o que fazer quando há um acidente", comenta.
A iniciativa gerou resultados positivos na percepção pública. "Antes se viam fotos de serpentes mortas nas redes, agora pelo menos a população pergunta como fazer para resgatá-las ou devolvê-las ao seu habitat", celebra o especialista.
Novo serpentário em Carmen del Paraná
Krause prepara atualmente um novo serpentário em Carmen del Paraná, destinado à educação e conservação. Esses espaços permitem que o público observe as serpentes vivas em ambientes similares ao seu habitat natural, conhecendo suas características, alimentação, tamanho máximo e comportamento.
A iniciativa busca continuar promovendo a convivência segura entre a população e essas espécies fundamentais para o equilíbrio do ecossistema paraguaio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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