Aprovam a criação do Sistema Nacional de Cuidados para redistribuir tarefas de atenção
Aprovação e marco legal
A Câmara de Deputados aprovou a norma que se enquadra no Sistema de Proteção Social vigente e responde a compromissos assumidos pelo país em distintos foros regionais sobre direitos das mulheres, além de mandatos constitucionais relativos à proteção da família, da infância, da velhice e das pessoas com deficiência.
Dados sobre distribuição de tarefas de cuidado
Durante o debate foi citada a Pesquisa de Uso do Tempo de 2016, que revelou que as mulheres dedicam em média 12,9 horas semanais a tarefas de cuidado não remuneradas, frente a 7,5 horas dos homens. Os legisladores apontaram que essa brecha se agravou após a pandemia de Covid-19.
Estrutura institucional
O projeto busca criar uma institucionalidade integrada pelo Conselho Nacional de Cuidados, presidido pelo Ministério da Mulher e integrado por uma dezena de pastas e organismos públicos, uma Secretaria Executiva de Cuidados e um Comitê Consultivo com participação de organizações sociais, academia e provedores privados de serviços.
Mecanismos principais
Entre os mecanismos centrais figuram os serviços de cuidados, licenças laborais e permissões para conciliar o trabalho com as responsabilidades familiares, subsídios e prestações econômicas, formação e profissionalização de cuidadores, regulação de padrões de qualidade e campanhas de comunicação para promover a corresponsabilidade de gênero.
Financiamento e implementação
O financiamento do Conselho Nacional de Cuidados sairá do Orçamento Geral da Nação e de aportes departamentais, municipais e privados. Está prevista a criação de um Fundo Especial de Cuidados.
A implementação será gradual: o Conselho deverá se instalar dentro de 60 dias desde a promulgação e elaborar, nos 180 dias seguintes, o primeiro Plano de Cuidados.
Ordenamento de iniciativas existentes
Segundo explicou a legisladora Rocío Abed, presidenta da Comissão de Equidade Social e Igualdade de Direitos entre o Homem e a Mulher,
o objetivo deste projeto é estabelecer um sistema que coloque ordem nas diferentes modalidades em que o governo nacional já está investindo em matéria de cuidados.
Abed apontou como exemplo a pensão alimentar para adultos maiores, assim como outros programas sociais, entre eles Tekoporã, as licenças por maternidade e paternidade. Trata-se de iniciativas que já conformam um sistema de cuidados, mas que se encontram dispersas e requerem se ordenar e se articular mediante uma lei.
Objetivos gerais
Segundo explicou a deputada María Cristina Villalba, presidenta da Comissão de Orçamento, o projeto de lei tem por objeto promover o pleno bem-estar e o desenvolvimento da autonomia das pessoas em situação de dependência, garantindo seu direito a receber cuidados integrais e oportunos, assim como proteger os direitos de quem oferece estes cuidados, seja de forma remunerada ou não remunerada.
O projeto passou a consideração da Câmara de Senadores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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