Brasil solicita a retirada do embaixador argentino e reduz sua representação diplomática
A crise diplomática intensifica-se após críticas do presidente Milei ao homólogo brasileiro Lula
O Governo da Argentina informou que Brasil solicitou na terça-feira o retorno a Buenos Aires do embaixador argentino naquele país, no marco de uma crise diplomática derivada de pronunciamentos do presidente Javier Milei contra seu homólogo Luiz Inácio Lula da Silva. O executivo brasileiro comunicou além disso sua decisão de reduzir o nível de representação diplomática bilateral ao de Encarregados de Negócios, segundo informou a Chancelaria argentina.
A tensão entre os dois principais países da América do Sul intensificou-se devido a críticas reiteradas do mandatário argentino contra o presidente brasileiro. De acordo com o comunicado da chancelaria argentina, na terça-feira o embaixador argentino Guillermo Raimondi foi convocado pelo ministro de Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira.
Durante o encontro, lhe comunicou a decisão do Governo brasileiro de reduzir o nível da representação diplomática bilateral ao nível de Encarregados de Negócios e solicitar seu retorno à República Argentina, segundo informou a pasta dirigida pelo chanceler Pablo Quirno. O comunicado da Argentina indica que o país "toma nota da decisão adotada unilateralmente" pelo Brasil e "lamenta sua decisão de continuar isolando-se do resto da região por questões puramente ideológicas".
A chancelaria argentina também mencionou diversos "episódios de expressões e respaldos políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países" no passado e apontou que Argentina sempre optou por não converter esses intercâmbios "em um incidente diplomático". "Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional", acrescentou.
Antecedentes do conflito
O conflito diplomático teve sua origem há dez dias quando Milei compareceu em São Paulo à oficialização da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e aliado regional Jair Bolsonaro, nas eleições brasileiras de outubro. Naquela oportunidade, o presidente argentino realizou questionamentos ao governo do Brasil a respeito de "interferência política" contra Buenos Aires e fez críticas a autoridades brasileiras.
Posteriormente, Brasil chamou a consultas seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, pelos pronunciamentos do mandatário argentino e convocou o embaixador argentino para solicitar explicações. O chanceler Quirno havia buscado reduzir a tensão enfatizando que desde a perspectiva argentina "não existe absolutamente nenhuma possibilidade" de que se rompa a relação diplomática. Não obstante, nos últimos dias o presidente argentino intensificou suas críticas durante diversas entrevistas.
Contexto eleitoral
O anúncio da redução da representação brasileira em Buenos Aires representa uma nova escalada em um conflito enquadrado no cenário eleitoral de ambas as nações. Após seu retorno ao poder em 2023, Lula lançou sua campanha para um quarto mandato, no contexto das eleições brasileiras previstas.
Na Argentina, Milei, que assume a presidência em dezembro de 2023, manifestou sua intenção de apresentar-se à reeleição nos pleitos de outubro de 2027. O mandatário argentino justificou seus pronunciamentos críticos contra governos de diversas orientações políticas na América Latina e outros continentes, apontando que atua "como defensor dos ideais da liberdade".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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