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Saúde

Antonio Cubilla, uma vida dedicada à pesquisa do câncer

16/08/2026 05:00 4 min lectura 20 visualizações

Aos 82 anos, este destacado patologista será reconhecido pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center com o prêmio Fred W. Stewart, que se entrega àqueles que realizaram contribuições excepcionais no avanço do conhecimento do câncer humano, do diagnóstico e da atenção ao paciente.

"É um prêmio que tem quase 50 anos em uma instituição dedicada ao diagnóstico, ao tratamento e sobretudo à pesquisa do câncer", comenta Antonio Cubilla.

O patologista destaca o apoio e as colaborações que recebeu tanto de médicos locais como estrangeiros em suas investigações, conformando uma verdadeira rede mundial que logrou articular ao longo de sua extensa trajetória no âmbito científico.

Cubilla teve a oportunidade de conhecer a Fred W. Stewart, o cientista que dá nome ao prêmio que receberá, assim como também o laboratório do reconhecido doutor Geórgios Papanikoláou, quem desenvolveu o exame médico rápido e simples que permite detectar mudanças nas células do colo uterino antes de que se convertam em câncer.

Uma vida investigando

O médico relata que ao regressar ao início dos anos 80 desde os Estados Unidos, onde estudou e investigou, enfrentou desafios significativos: "Era um deserto, a universidade investigava de maneira muito isolada e a produção científica era bajíssima. Me custou muito encontrar o nicho para voltar a começar", assinala.

"Aí me acolheram os médicos do Instituto do Câncer, que era muito pequeno, onde acumulei muita experiência dos problemas do câncer de pênis no Paraguai e vi que havia peculiaridades que não havia visto em Nova York. Isso me decidiu a tomar este nicho onde não havia estudos. Então, com técnicas muito simples e muito baratas começamos a tarefa", acrescenta.

Cubilla se dedica à pesquisa desde muito jovem. "Estive 10 anos estudando nos Estados Unidos (de 1970 a 1980), me passei estudando câncer de pâncreas; também de mama e de tireoide e logo me focalizei digamos nos últimos 30 anos na patologia de câncer de pênis porque não era possível competir academicamente em outras patologias que são frequentes no primeiro mundo", explica.

"Lá têm todos os meios e aqui, sem apoio econômico e sem grandes equipamentos, escolhemos um nicho, uma área que eles não têm. Então, usando técnicas muito antigas, muito baratas, pudemos realizar alguns estudos que melhoraram o conhecimento sobre esta patologia a nível local e a nível universal, porque o câncer de pênis é frequente nos países tropicais", acrescenta.

Geografia da doença

"Nos países tropicais é onde há muito mais. É uma questão cultural, os países com maior pobreza são os que fazem mais câncer de pênis e são os que descuidam mais dos diagnósticos", assinala.

Segundo refere, neste tipo de patologia "os países de menor frequência têm de 0,1 a 0,5 caso por cada 100 mil habitantes, por exemplo, nos países nórdicos da Europa e na parte norte dos Estados Unidos. Em troca, nos países tropicais vai de 0,3 a 0,6". Cubilla adverte que o Paraguai carece de dados precisos devido a que uma das grandes deficiências em saúde pública é a falta de bons registros de câncer.

Embora exista um registro que se está organizando desde faz tempo, até o momento não produz dados confiáveis. Segundo sua análise, a incidência no Paraguai se situaria entre 0,3 a 0,4 casos por cada 100 mil habitantes, comparativamente superior aos países de clima temperado.

O patologista enfatiza a necessidade de maior financiamento público para a ciência no Paraguai, considerando que suas investigações demonstraram que é possível realizar contribuições significativas ao conhecimento científico internacional mediante o uso de técnicas econômicas e acessíveis, sempre que se identifiquem apropriadamente os nichos de pesquisa onde é possível avançar.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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