Análise sobre o impacto da taxa de câmbio na economia paraguaia
Análise da apreciação do guarani
O presidente da Câmara de Indústrias Sustentáveis do Paraguai (Cispy), Carlos Mangabeira, aponta que o guarani se fortaleceu aproximadamente 25% frente ao dólar durante o último ano, enquanto a média das principais moedas mundiais se fortaleceu cerca de 10%. Esta diferença evidencia uma apreciação superior em relação a outras divisas.
Mangabeira indica que a taxa de câmbio atual gera uma distorção na economia paraguaia e estima que o dólar deveria se situar entre G. 6.300 e G. 6.600, frente aos níveis próximos a G. 5.900 registrados atualmente. De acordo com sua análise, esta diferença sugere que o guarani se encontra demasiado apreciado.
Setores afetados pela apreciação
O principal impacto recai sobre o setor exportador. Entre os afetados encontram-se as indústrias manufatureiras, os exportadores de carne e as empresas vinculadas à produção e transformação de produtos agrícolas. O problema reside em que os ingressos dessas atividades estão vinculados ao dólar, enquanto uma parte importante de seus custos se expressa em guaranis. Uma queda pronunciada da taxa de câmbio reduz assim o valor local dos ingressos obtidos pelas exportações.
Também alcança setores como a construção e os desenvolvedores imobiliários. Mangabeira exemplifica o caso de um desenvolvedor que vendeu apartamentos na planta quando o dólar se encontrava em torno a G. 8.000 e posteriormente deve executar a obra com uma taxa de câmbio próxima a G. 5.900, o que afeta significativamente a rentabilidade do projeto.
O impacto também poderia se trasladar aos novos investimentos. Os projetos já vendidos devem ser executados, mas a situação cambial pode afetar a decisão de iniciar novas obras ou ampliar investimentos. No caso da indústria exportadora, adverte que uma menor rentabilidade poderia se traduzir em uma redução dos investimentos, cujos efeitos sobre a capacidade produtiva não necessariamente se observariam de imediato.
Efeitos econômicos adicionais
A forte apreciação favorece a entrada de produtos brasileiros e reduz o valor em guaranis das recaudações aduaneiras. Mangabeira destaca a perda de competitividade da produção paraguaia frente aos produtos brasileiros devido a esta evolução cambial.
Perspectiva sobre intervenção do mercado
Mangabeira recorda que o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio o mercado quando o dólar alcançou níveis próximos a G. 8.000, com o objetivo de evitar que a cotação permanecesse em um nível considerado artificialmente elevado. Nesse sentido, coloca que se atualmente o dólar se encontra artificialmente baixo, a autoridade monetária também poderia intervir para permitir um ajuste e que posteriormente o mercado determine seu nível.
Conforme seu entendimento, esta situação eventualmente deverá se corrigir. Considerou que, se não ocorrer durante 2026, o ajuste poderia dar-se em 2027.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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