Alto Paraná: A Clínica de Desintoxicação Programada atende mais de 700 pessoas semestralmente
Magnitude da demanda em Alto Paraná
A problemática do consumo de drogas apresenta uma realidade complexa em Alto Paraná. A Dra. Noelia Ramírez, responsável pela Clínica de Desintoxicação Programada de Ciudad del Este, informou que o centro recebeu aproximadamente 200 novos usuários nos últimos seis meses, enquanto entre 400 e 500 pessoas encontram-se sob tratamento e acompanhamento junto com seus familiares.
O estabelecimento atende pessoas de diferentes idades. Segundo explicou a profissional, a clínica recebe pacientes que vão desde os 10 anos até pessoas com entre 60 e 70 anos, oferecendo cobertura a adolescentes, jovens e adultos idosos.
Acesso ao serviço e equipe profissional
O serviço funciona por ordem de chegada e oferece atendimento completamente gratuito de segunda a sexta-feira. Quem procura ajuda pode se dirigir diretamente à clínica para iniciar o processo de avaliação e tratamento.
A instituição conta com uma equipe composta por três psicólogos, dois médicos e uma enfermeira responsável pela admissão, permitindo atendimento coordenado a aproximadamente 700 pessoas entre novos usuários, pacientes em acompanhamento e familiares durante cada semestre.
O tratamento como processo prolongado
A Dra. Ramírez enfatizou que a recuperação de uma pessoa com problemas de consumo constitui um processo que exige tempo considerável. Destacou que se trata de uma doença crônica que necessita acompanhamento constante e estruturado.
O tratamento contempla consultas semanais e é de natureza contínua, com duração mínima de dois anos. O processo inclui diferentes etapas que devem ser cumpridas ordenadamente para alcançar resultados efetivos.
Abordagem integral e interdisciplinar
O atendimento oferecido não se concentra exclusivamente em quem consome drogas. A especialista ressaltou a importância de envolver o entorno familiar, considerando que as consequências da dependência impactam todo o núcleo próximo da pessoa afetada.
Por isso, o tratamento contempla tanto o usuário quanto seus familiares, assegurando uma assistência integral a quem está mais perto das pessoas em recuperação.
A clínica mantém coordenação com outras instituições para abordar os casos de maneira integral. Trabalha em rede com a Codeni, que também encaminha pacientes, e com o Centro Regional das Mulheres, dado que existem situações nas quais o consumo está relacionado com fatos de violência doméstica.
Diferenças na composição de usuários
A responsável pelo serviço apontou que existe uma diferença marcada entre homens e mulheres atendidos. Aproximadamente 90 por cento dos pacientes são homens, enquanto a presença feminina é consideravelmente menor. Em vários casos, as mulheres chegam encaminhadas por instituições como a Codeni ou por situações judiciais e familiares.
Tipos de intervenção conforme a gravidade
Os casos mais graves requerem intervenções especializadas. A Dra. Ramírez explicou que alguns pacientes devem ser encaminhados a centros especializados ou recorrer previamente a um serviço de urgências. Outros pacientes são estabilizados em um centro de saúde e, uma vez superado o quadro agudo, continuam com tratamento ambulatorial.
A maioria dos pacientes pode ser atendida mediante tratamentos ambulatoriais, já que nem todos apresentam uma dependência severa.
Desafios e necessidades futuras
Um dos desafios que enfrenta atualmente a clínica é a falta de um especialista em psiquiatria, necessidade que foi identificada como prioritária para fortalecer a oferta de serviços.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.