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Saúde

De 10 a 70 anos: O rosto diverso da dependência química em Alto Paraná

Clínica de Desintoxicação Programada de Ciudad del Este atende pacientes de todas as idades

23/08/2026 13:45 4 min lectura 14 visualizações

A problemática do consumo de drogas continua evidenciando uma realidade preocupante em Alto Paraná. A Dra. Noelia Ramírez, responsável pela Clínica de Desintoxicação Programada de Ciudad del Este, revelou que o centro recebeu aproximadamente 200 novos usuários nos últimos seis meses, enquanto entre 400 e 500 pessoas permanecem sob tratamento e acompanhamento juntamente com seus familiares.

A profissional explicou que a clínica oferece atendimento gratuito de segunda a sexta-feira e recebe pessoas de diferentes idades.

"Recebemos todas as classes de idades, inclusive adolescentes temos, jovens, temos adultos maiores, de todas as idades estamos atendendo lá", afirmou Ramírez, que indicou estar atendendo atualmente pacientes a partir dos 10 anos até pessoas entre 60 e 70 anos.

O serviço funciona por ordem de chegada e conta com três psicólogos, dois médicos e uma enfermeira responsável pela admissão.

"É por ordem de chegada, atendimento gratuito", explicou a médica, ao detalhar que quem busca ajuda pode se dirigir diretamente à clínica para iniciar o processo de avaliação e tratamento.

Os números registrados no centro evidenciam a magnitude da demanda.

"Temos em seis meses mais ou menos 200 usuários novos e 400 a 500 em tratamento, em acompanhamento, junto com os familiares", afirmou ao indicar que o estabelecimento atinge aproximadamente 700 pessoas entre novos usuários, pacientes em acompanhamento e familiares durante cada semestre.

PROCESSO

Ramírez ressaltou que a recuperação de uma pessoa com problemas de consumo não é um processo rápido. Trata-se de uma doença crônica.

Explicou que o tratamento requer tempo e acompanhamento constante. "A consulta é semanal e é um tratamento contínuo. Tem que passar por etapas e é longo, mínimo dois anos de tratamento", pontualizou.

O atendimento também não se concentra exclusivamente em quem consome drogas. A especialista destacou a necessidade de envolver o entorno familiar porque as consequências da dependência atingem todo o núcleo próximo. Por isso, o tratamento contempla tanto o usuário como seus familiares.

"Temos que assistir de maneira integral aos familiares, aos que estão mais perto dessas pessoas sofrentes", afirmou.

A diferença entre homens e mulheres também é marcante. Segundo a responsável pelo serviço, 90% dos pacientes atendidos são homens. A presença feminina é muito menor e, em vários casos, as mulheres chegam encaminhadas por instituições como a Codeni ou por situações judiciais e familiares.

A clínica mantém além disso um trabalho coordenado com outras instituições para abordar os casos de maneira integral. "Trabalhamos em redes com a Codeni, que também nos envia pacientes", explicou.

Mencionou o Centro Regional das Mulheres, pelo fato de existirem situações em que o consumo está relacionado com fatos de violência doméstica.

"Temos que fazer um trabalho em rede e é integral, um atendimento integral e interdisciplinar", sustentou.

TIPOS DE INTERVENÇÃO

Os casos mais graves requerem outro tipo de intervenção. Ramírez explicou que alguns pacientes precisam ser encaminhados a centros especializados ou acudir previamente a um serviço de urgência. Outros pacientes são estabilizados primeiro em um centro de saúde e, uma vez superado o quadro agudo, continuam com um tratamento ambulatorial.

"Temos vários casos. Em alguns casos, por exemplo, fala-se com o centro de dependências... temos números que remetemos lá", sinalizou.

Um dos desafios que a clínica enfrenta atualmente é a falta de um especialista em psiquiatria.

"O que não contamos é com psiquiatra. Isso é o que precisamos", reconheceu Ramírez.

Porém, esclareceu que a maioria dos pacientes pode ser atendida mediante tratamentos ambulatoriais e que nem todos apresentam uma dependência severa.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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