Aleitamento materno: Muito mais que um alimento
Benefícios que acompanham a criança durante toda a vida
Nas primeiras horas de nascida e até os primeiros seis meses, o alimento que o bebê recebe marcará o rumo de seu desenvolvimento em todos os níveis. Contudo, ainda existe muito desconhecimento sobre os benefícios que o aleitamento materno traz à criança e também à mãe, e, consequentemente, sua aplicação frequentemente vê-se obstaculizada. Nesse sentido, cada ano se comemora a Semana Mundial de Aleitamento Materno de 1º a 7 de agosto.
Os promotores dessa campanha, a Aliança Mundial pró Aleitamento Materno (Waba, por suas siglas em inglês), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fazem um chamado aos governos, sistemas de saúde, locais de trabalho, comunidades, organizações da sociedade civil e famílias para que aproveitem as experiências bem-sucedidas e fortaleçam a "cadeia quente de apoio" ao aleitamento materno.
Assim, o lema 2026 da Semana Mundial de Aleitamento Materno, "Aleitamento materno para um início sustentável na vida: Fortalecer o que funciona", concentra-se em monitorar os avanços, avaliar o impacto e ampliar as abordagens comprovadas que melhoram os resultados do aleitamento materno.
No Paraguai, de 9 a 14 de agosto celebra-se a Semana Nacional de Aleitamento Materno, período em que o Ministério de Saúde Pública e Bem-Estar Social realiza atividades de capacitação a profissionais de saúde e diversas ações são desenvolvidas.
Considerando a importância do tratamento do tema e de seus benefícios, a doutora Mirtha Talavera, pediatra e neonatologista, afirma que "o aleitamento materno é muito mais que alimento: envolve uma interação profunda entre a mãe e seu filho com repercussões no estado nutricional da criança, em sua capacidade de se defender de infecções e em seu desenvolvimento emocional e cognitivo".
Explicando um pouco mais em detalhe, a profissional especifica que "o leite materno é um alimento vivo que se adapta às necessidades de cada bebê tanto quando estão saudáveis quanto quando estão doentes". Igualmente, indica que quando os bebês recebem aleitamento exclusivo durante os primeiros seis meses: diminui o risco de diarreias, infecções respiratórias e hospitalizações; favorece um melhor desenvolvimento do cérebro e das capacidades cognitivas; reduz o risco futuro de obesidade, diabetes e hipertensão; contribui ao adequado desenvolvimento da microbiota intestinal e do sistema imunológico; favorece o desenvolvimento emocional e o apego seguro.
Segundo a recomendação da OMS, o início do aleitamento materno deve ocorrer dentro da primeira hora após o nascimento, pois isso melhora substancialmente o desenvolvimento natural e fisiológico do recém-nascido nas horas e dias seguintes. Além disso, aconselha que o aleitamento materno seja exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, e sua continuação até os dois anos ou mais, acompanhada de alimentos complementares nutricionalmente adequados, e mantê-lo enquanto a mãe e a criança o desejarem.
Finalmente, a neonatologista justifica a importância do aleitamento com a seguinte frase: "A evidência científica demonstra que o aleitamento materno tem benefícios que acompanham a criança durante toda a vida".
No Paraguai, a situação em torno do aleitamento materno exclusivo ainda apresenta muitos desafios. "Apenas 31,3%, ou seja, apenas três de cada dez crianças menores de seis meses são amamentadas exclusivamente", afirma a doutora Talavera. Segundo esse dado, a oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Paraguai, doutora Sonia Ávalos, sinalizou que a prevalência de aleitamento materno no Paraguai é uma das mais baixas da região. Quanto à continuidade: conforme dados da Pesquisa de Indicadores Múltiplos por Conglomerados (MICS) do Unicef de 2016, o aleitamento continuado ao primeiro ano de vida do bebê é de 48,2% e aos dois anos, de 21%.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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