Acosta Ñu: Residentes ficariam sem tutores diante da renúncia de especialistas
41 médicos especialistas apresentaram renúncia no hospital público mais afetado pela greve de médicos
Diante da falta de acordo entre o Governo e os médicos do Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), apresentam-se renúncias de profissionais como medida de força e um dos hospitais públicos mais afetados é o Acosta Ñu.
Neste estabelecimento apresentaram sua renúncia 41 médicos especialistas de diferentes áreas, 19 cirurgiões pediátricos e 21 anestesiólogos, todos se encontram trabalhando até cumprir com o aviso prévio estabelecido que pode chegar até 30 dias, de acordo com o Sinamed.
Este hospital que leva o nome da batalha da Tríplice Aliança em que milhares de crianças paraguaias morreram em prol da pátria, hoje milhares de crianças estão em risco, ainda que em um contexto completamente distinto. Os atendimentos podem se ressentir se não se chegar a um acordo e os médicos deixarem seus cargos.
Os residentes asseguram que também serão afetados se as renúncias se efetivarem.
"Não podemos prosseguir nossa residência como médicos em formação de subespecialidades, como no meu caso, cirurgia infantil, muito necessária em todo o país. Sem tutores se torna impossível e todos já apresentaram sua renúncia, assim que nos próximos 30 dias o desfecho pode ser caótico para nós, já que não há de onde repô-los", explicou à Redação de ÚH a Dra. Natalia Leiva, do segundo ano de residência do mencionado hospital.
Leiva explicou que, após 13 anos de estudos contínuos, esta situação é demasiado preocupante para os residentes, já que após tantos anos de esforço este panorama incerto representa um desalento a mais para a profissão.
Acosta Ñu conta com médicos em formação em várias subespecialidades, como cardiologia infantil que também se vê afetada pela medida, segundo explicou a Dra. Jazmín Santacruz.
"Muitas vezes, nós fornecemos os insumos ou são mediante doações de fundações. Realmente se conseguimos sair adiante muitas vezes é por autossustentação, não por ajuda do Ministério da Saúde. Nós recebemos pacientes de todo o país; é devastador ter que adiar cirurgias porque não temos insumos", mencionou a médica infantil.
Residentes. A Dra. Camila Barrios, residente de Pediatria, apontou a ÚH que é normal para um médico atender em uma guarda 90 pacientes, já que é a urgência pediátrica mais grande do Paraguai.
"Se nós não temos anestesiólogos pediátricos, como vamos fazer as PAMO (punção e aspiração de medula óssea) para os pacientes oncológicos?", expressou Barrios.
"Recebemos pacientes de todo o país porque temos a urgência pediátrica mais grande do país aqui no Hospital Acosta Ñu".
Dra. Camila Barrios, médica residente.
"Não poderemos prosseguir nossa residência sem tutores se a renúncia se efetivizar, já que não há como substituí-los. É grave".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.