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Economia

A três anos de governo, persistem os desafios fiscais históricos

12/08/2026 08:45 4 min lectura 24 visualizações

Contexto da administração atual

Neste sábado 15 de agosto, o presidente da República, Santiago Peña, completa seu terceiro ano de mandato, período caracterizado por desafios fiscais ainda por resolver.

O cenário macroeconômico apresenta aspectos positivos, com inflação controlada, obtenção de dois graus de investimento e crescimento sustentado do produto interno bruto (PIB). Não obstante, o Paraguai enfrenta um cenário fiscal complexo, particularmente no que diz respeito ao déficit orçamentário e à gestão do gasto público.

Evolução do déficit fiscal

De 2023 a 2025, o governo avançou em seu plano de convergência fiscal. O déficit passou de 4,1% do PIB em 2023, para 2,5% em 2024, e 2,0% em 2025.

Porém, emergiu uma significativa pressão fiscal derivada das milionárias dívidas atrasadas a fornecedores do Estado. Esta situação gerou mudanças na estrutura do Ministério da Economia e Finanças (MEF), e o governo finalmente reconheceu o descumprimento das metas fiscais originalmente projetadas.

Novo plano de consolidação fiscal

Embora o objetivo inicial fosse retornar a um déficit de 1,5% em 2025, o titular atual do MEF, Oscar Lovera, apresentou um plano de consolidação fiscal revisado que projeta alcançar esse percentual somente em 2028, ao encerramento desta administração.

Para 2026, a projeção do MEF prevê encerrar com um déficit de 3,2%, enquanto que em 2027 estima 3,9%. Conforme explicou Lovera, a flexibilização responde às obrigações pendentes após os pagamentos de dívida deste ano, pelo que se requer recorrer a nova dívida externa de aproximadamente USD 600 milhões.

Evolução da dívida pública

Desde a posse de Peña, a dívida pública experimentou incrementos significativos, especialmente mediante colocações de títulos em mercados locais e internacionais. O saldo de compromissos passou de USD 16.565,9 milhões em 2023 para USD 21.946,6 milhões em 2025, o que representa uma expansão de 32,4% em três anos.

O nível de endividamento se mantém abaixo de 40% do PIB e é menor comparativamente com países da região. Considerando o crescimento da economia, que se situou em USD 63.814 milhões em junho último frente aos USD 43.194 milhões do início deste governo, os indicadores relativos mostram estabilidade.

Não obstante, economistas advertem que o principal desafio reside no incremento dos juros da dívida, que reduz o espaço disponível para investimentos em saúde, educação e infraestrutura.

Estratégias de arrecadação tributária

Entre os avanços desta administração destaca-se a criação da Direção Nacional de Ingressos Tributários (DNIT), resultado da fusão da Direção de Aduanas e da Subsecretaria de Estado de Tributação (SET). Esta medida impulsionou incrementos na arrecadação até meados de 2025.

Porém, a queda do dólar fez com que os ingressos tributários perdessem força, e a expansão começou a desacelerar desde o segundo semestre do ano passado, gerando pressão adicional na situação fiscal.

Tendo em conta que a administração mantém o compromisso de não aumentar nem criar impostos, a DNIT estabeleceu novas estratégias para ampliar a arrecadação. Entre elas figuram a intensificação de controles tributários, o impulso para maior formalização, e a avaliação de eliminação de isenções e regulamentação do uso de reservas facultativas empresariais.

Balanço de três anos de gestão

Após analisar o desempenho fiscal desta administração surge o questionamento sobre se se corrigiu estruturalmente o problema fiscal ou se simplesmente se administrou o déficit até que a pressão do gasto voltasse a incrementar as contas públicas, aspecto que continuará sendo objeto de acompanhamento e avaliação por parte de especialistas e organismos de controle.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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