A política internacional no cenário do futebol mundial
Antecedentes históricos da política nos Mundiais
Em 1966, meses antes da Copa do Mundo na Inglaterra, o governo britânico avaliou impedir a entrada da seleção da Coreia do Norte por temor a um conflito diplomático com a Coreia do Sul. Não obstante, a FIFA ameaçou retirar a sede e Londres terminou cedendo. Vinte anos depois, Argentina e Inglaterra se enfrentaram no México 86 sob a sombra ainda fresca da Guerra das Malvinas. E na França 98, a partida entre Estados Unidos e Irã se converteu em um símbolo de aproximação entre dois países enfrentados.
Depois daquele encontro, o zagueiro estadunidense Jeff Agoos resumiu o momento com uma frase memorável:
Fizemos mais em 90 minutos do que os políticos em 20 anos.
O contexto geopolítico atual
Hoje o panorama internacional continua marcado por tensões políticas significativas. A Copa do Mundo se disputa em um contexto caracterizado por conflitos no Oriente Médio e nas fronteiras da Europa. A Rússia, anfitriã da Copa do Mundo de 2018, foi excluída desta edição após a invasão da Ucrânia. Por sua parte, embora a guerra entre Estados Unidos e Irã tenha começado oficialmente em fevereiro, as tensões entre ambos os países perduram há décadas. De fato, dos três países organizadores da Copa do Mundo, apenas o México mantinha relações diplomáticas formais com Teerã, já que Estados Unidos as rompeu em 1980 e Canadá em 2012.
Restrições migratórias e de segurança
A isso se somam controles migratórios e de segurança cada vez mais rigorosos para delegações e visitantes. Não apenas a seleção iraniana enfrenta restrições ao se ver obrigada a viajar para território estadunidense unicamente para disputar suas partidas, mas Estados Unidos mantém limitações de entrada para cidadãos de 39 países, afetando com estas medidas o Haiti, Irã, Costa do Marfim e Senegal, assim como o árbitro somali Omar Artan, que foi deportado sem chegar a dirigir uma única partida. Dessa forma, as ferramentas migratórias se tornam instrumentos efetivos de política exterior e a FIFA evidenciou uma capacidade limitada para impor critérios próprios quando o país anfitrião tem outra agenda.
A Copa do Mundo como plataforma diplomática
Ainda assim, a Copa do Mundo continua projetando a ideia de um futebol acima das disputas políticas, mas a realidade parece se aproximar mais daquele comentário atribuído ao emir Hamad bin Jalifa Al Thani durante a corrida de Qatar para obter a sede de 2022:
É mais importante estar na FIFA do que estar na ONU. As Copas do Mundo são hoje, mais que nunca, plataformas de influência política e projeção internacional.
Caso do Paraguai: diplomacia na Copa do Mundo
O Paraguai também compreendeu essa lógica. Enquanto a Albirroja caía ante Estados Unidos, Santiago Peña aproveitou a ocasião para fortalecer a agenda bilateral com Washington. Depois de compartilhar o palco com Marco Rubio, ambos discutiram cooperação em segurança, investimentos e energia. Entre os temas mais relevantes apareceu a possibilidade de futuros acordos vinculados à geração de energia nuclear, uma alternativa que o Paraguai estuda há anos ante a crescente pressão sobre sua matriz energética.
Reflexão final
A Copa do Mundo continua sendo uma festa global, mas cada vez resulta mais evidente que, além de gols e resultados, também funciona como um espaço onde os Estados negociam interesses, projetam poder e disputam influência. A política internacional continua sendo parte integral do cenário esportivo mundial.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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