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A língua: o órgão que permitiu aos animais conquistar a terra

05/07/2026 13:45 4 min lectura 22 visualizações
La lengua: el órgano que permitió a los animales conquistar la tierra

Um órgão versátil e variado

Azuis como a de uma girafa, compridas demais como a de um tamanduá ou rápidas como a de um camaleão, as línguas são um dos órgãos mais versáteis e variados do reino animal. A dos araras, por exemplo, apresenta características únicas que as distinguem de outras espécies.

Segundo especialistas em zoologia, a língua das araras contém um osso em seu interior, semelhante a um dedo indicador curvado, mas com textura coriácea e cor escura. Esta estrutura lhes permite manipular seu alimento de maneira muito eficiente: quebram a noz com o bico e depois usam a língua para descascá-la, separar o que desejam consumir e cuspir o que não precisam. Ao longo de milhões de anos, este tipo de língua se mostrou uma estratégia bem-sucedida de alimentação.

A origem evolutiva das línguas

Embora araras e humanos compartilhem um ancestral comum na história evolutiva, suas línguas são radicalmente diferentes. Para entender por quê, é necessário remontar aos origens deste órgão na era de nossos antepassados aquáticos.

Quando nossos ancestrais evoluíram a partir de peixes e passaram da vida aquática para a terrestre, enfrentaram um desafio fundamental: precisavam desenvolver novas formas de capturar e manipular alimentos sem depender da água. No oceano, os peixes utilizavam principalmente a sucção: expandiam rapidamente a boca e a garganta para absorver água junto com suas presas. Porém, este mecanismo não funcionava em terra.

No ambiente aquático, as presas flutuam naturalmente e não há necessidade de lutar contra a gravidade. Em contrapartida, sobre terra firme, o ar não é viscoso como a água, o que significa que os alimentos caem. A língua evoluiu como solução para este problema, aproveitando a musculatura que já existia nos peixes ancestrais.

Uma adaptação engenhosa

Em vez de confiar na sucção, os animais terrestres desenvolveram a capacidade de estender a língua para capturar presas e atraí-las em direção à boca. Uma vez dentro, podem levantá-la, movê-la para frente e para trás, e empurrá-la em direção à garganta para engoli-la, realizando todas as funções que a água fazia ancestralmente no meio aquático.

As línguas existem desde há centenas de milhões de anos. O que começou como um mecanismo simples para introduzir alimentos na boca evoluiu até se diferenciar enormemente entre as espécies, tanto quanto os gatos diferem dos cães em outras características.

Especialização conforme a dieta

A razão principal pela qual os animais têm diferentes formas de língua é que as utilizam para capturar presas de diferentes maneiras. Herbívoros, carnívoros e nectarívoros (animais que se alimentam de néctar) têm línguas completamente diferentes adaptadas às suas necessidades nutricionais.

As línguas dos felinos são ásperas como papel de lixa, enquanto as dos caninos são mais macias e flexíveis. As vacas, por sua vez, possuem papilas modificadas que lhes permitem agarrar a relva e cortá-la de maneira eficiente.

Características comuns em mamíferos

Todas as línguas de mamíferos são cobertas de papilas, pequenas protuberâncias que ajudam a manipular os alimentos e, em alguns casos, a perceber sabores. Depois que nossos ancestrais se deslocaram para a terra, as línguas continuaram evoluindo e se especializando para se adaptar aos diversos hábitos alimentares e estilos de vida de cada espécie, resultando na incrível variedade de línguas que observamos hoje no reino animal.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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