A economia chinesa se consolida como segundo parceiro comercial do Paraguai
Expansão comercial sem reconhecimento diplomático formal
Expansão comercial sem reconhecimento diplomático
O Paraguai desenvolveu uma relação comercial significativa com a China sem manter vínculos diplomáticos formais. Enquanto o país reconhece oficialmente a Taiwan há mais de 65 anos como único país sul-americano em fazê-lo, o comércio com o gigante asiático se consolidou como o segundo eixo de intercâmbio comercial bilateral e a principal fonte de bens importados.
A presença empresarial chinesa no território paraguaio opera através de representantes com residência ou nacionalização local. Quanto ao investimento direto estrangeiro, a participação chinesa permanece limitada, representando apenas 1% no regime de maquila.
Trajetória de crescimento acelerado
Segundo dados do Banco Central do Paraguai (BCP), não havia registros de importações da China até o ano 2000, quando iniciaram as primeiras compras por USD 219.647. O crescimento acelerou em 2006, momento em que as importações superaram USD 1.000 milhões pela primeira vez.
A partir de então, o incremento foi sustentado. Em 2025 alcançou-se um recorde de USD 6.122 milhões. Durante os primeiros cinco meses de 2026, as importações somaram USD 2.747 milhões, equivalentes a 36,4% do total nacional de compras ao exterior.
O economista Jorge Garicoche atribui parte dessa expansão à competitividade da indústria manufatureira chinesa. Assinala que aproximadamente um terço das importações paraguaias provêm desse país e que produtos como automóveis e eletrodomésticos superaram a percepção inicial de bens de menor qualidade, ganhando mercado graças a avanços tecnológicos e vantagens competitivas de preços.
Desequilíbrio na relação comercial
Ao longo de pouco mais de duas décadas, a China transitou de uma participação nula para abastecer mais de um terço das importações paraguaias. Entretanto, a relação apresenta um significativo desequilíbrio.
Em abril de 2026, a balança comercial registrou um déficit de USD 289 milhões, com importações de USD 292 milhões frente a exportações de apenas USD 2,95 milhões. As vendas experimentaram uma queda de 38,6% comparadas ao mesmo período do ano anterior.
O intercâmbio reflete também uma assimetria nos tipos de produtos: o Paraguai importa bens manufaturados enquanto suas exportações consistem principalmente em insumos sem processar.
Perspectivas e limitações para a negociação
Garicoche sustenta que a abertura comercial paraguaia não encontra reciprocidade equivalente. Assinala que o país deveria contar com liberdade para negociar o acesso de seus produtos ao mercado chinês, embora reconheça que o principal obstáculo identificado permanece sendo a condição imposta por Pequim respecto ao reconhecimento diplomático.
O economista amplia a análise além de considerações puramente diplomáticas, questionando desde uma perspectiva econômica quais produtos específicos pode colocar o Paraguai em um mercado altamente competitivo com múltiplos fornecedores globais, antes de modificar a política externa do país.
Contraste com a relação comercial taiwanesa
Enquanto o comércio com a China concentra-se em importações, Taiwan representa um mercado de menor volume mas com resultados positivos para as exportações paraguaias. Em 2025, os envios alcançaram USD 342 milhões, impulsionados principalmente por carne bovina e suína.
Para Garicoche, essa relação comercial demonstra que os vínculos diplomáticos geram oportunidades comerciais concretas e podem ampliar-se para novas categorias de produtos.
Posições do setor industrial
Enrique Duarte, presidente da União Industrial Paraguaia (UIP), questiona a assimetria da relação atual com a China.
Por que nós podemos acessar o que a China produz e por que eles não podem acessar o que o Paraguai produz?
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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