A camada de ozônio se recuperará em 40 anos graças ao Protocolo de Montreal, segundo especialistas
A proteção da camada de ozônio foi acordada no marco da Convenção de Viena (1985) e, posteriormente, com o Protocolo de Montreal (1987), foram estabelecidas as obrigações para a eliminação das substâncias que destroem esse manto natural, os gases clorofluorocarbonados (CFC).
Em 2016, com a assinatura da Emenda de Kigali, foi acordada também a redução gradual da produção e consumo de gases hidrofluorocarbonos (HFC), utilizados na refrigeração e para o ar condicionado.
Agora o Dia Mundial do Ozônio comemora os dez anos da Emenda de Kigali, acordada dentro do Protocolo de Montreal, e enfatiza a relação entre proteção do ozônio e salvaguarda do clima.
Foram dois cientistas, o engenheiro químico mexicano Mario Molina-Pasquel Henríquez e o químico estadunidense Frank Sherwood Rowland, que descobriram nos anos setenta que os gases CFC destroem a camada de ozônio.
Ambos foram agraciados com o Prêmio Nobel de Química em 1995, juntamente com o químico neerlandês Paul Jozef Cruzen, que também estudou a formação e decomposição do ozônio.
Graças aos seus estudos, a comunidade internacional chegou a um acordo para a assinatura do Protocolo de Montreal e agilizar a proibição de CFC, gases muito utilizados em sistemas de refrigeração, aerossóis (lacas para cabelo, desodorantes, inseticidas ou tintas), espumas isolantes ou solventes industriais, que ainda persistem na atmosfera.
Em 1985, os cientistas Joe Farman, Brian Gardiner e Jonathan Shanklin, do Instituto Antártico Britânico, detectaram um grande buraco na camada de ozônio sobre a Antártida que se abre e se fecha de forma cíclica todos os anos.
Segundo um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) de setembro de 2025, a camada de ozônio está "caminho de se recuperar" e em 2024 o buraco "foi menor" que nos anos precedentes.
A OMM assegura, contudo, que é um processo que "ainda levará vários decênios", um período que cientistas da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) fixam em 40 anos.
Segundo explica à EFE o pesquisador do Centro Atmosférico de Izaña da Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) da Espanha, Alberto Redondas Marrero, "a camada de ozônio está se recuperando e temos evidências claras de que o Protocolo de Montreal está funcionando".
O também responsável pelo Centro de calibração de ozônio e a rede de observação de ozônio (EuBrewnet) indica que os resultados preliminares do estudo Ozone Assessment que fazem parte da avaliação científica de 2026 — será publicado no final do ano — "mostram uma recuperação clara do ozônio na alta estratosfera entre 2000 e 2024 e praticamente em todas as latitudes".
Explica que os resultados do estudo foram apresentados em um "congresso recente em Davos celebrando os primeiros cem anos da medida de ozônio" e destaca que "o balanço conjunto é muito significativo".
Redondas assegura que o Protocolo de Montreal "está permitindo recuperar a camada de ozônio e, ao mesmo tempo, evitou uma quantidade importante de aquecimento global", enquanto a Emenda de Kigali "completa esse sucesso reduzindo agora o impacto climático dos gases que substituíram as substâncias destruidoras do ozônio".
Por isso, afirma, "dez anos depois de Kigali, o Dia Mundial do Ozônio de 2026 destaca especialmente que proteger a camada de ozônio e proteger o clima são objetivos distintos, mas estreitamente relacionados".
Não obstante, recorda que "a recuperação é muito mais lenta que sua destruição" e, para que a recuperação seja completa, é necessário continuar cumprindo os acordos internacionais estabelecidos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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