Yacyretá nega informação sobre seus funcionários apesar da lei
Após as publicações de ÚH sobre o desperdício salarial na Entidade Binacional Yacyretá (EBY), foi apresentada uma solicitação sobre folha de funcionários e suas remunerações no portal de transparência do Estado, mas a hidrelétrica respondeu com evasivas. O usuário contestou com um pedido de reconsideração amparado na Lei 5282/14 e advertiu que recorrerá a instâncias judiciais em caso de uma nova negativa.
No dia 27 de abril ingressou a solicitação #102214 no Portal Unificado de Informação Pública na qual um usuário de forma anônima pediu cópia da folha de funcionários especificando o cargo, dependência administrativa e remuneração atribuída. Embora as instituições tenham um prazo de 15 dias úteis para responder, a EBY respondeu no dia seguinte, mas com uma evasiva sem argumentos.
"Solicitamos tenha a bem se enquadrar nos termos do art. 12 da Lei 5282/14", menciona o escrito atribuído ao Escritório de Acesso à Informação Pública da binacional. Carlos Daniel Vera Mongelós figura como o funcionário que atendeu a petição.
Não satisfeito, o usuário apelou à reconsideração advertindo que a resposta é genérica e evasiva, portanto não satisfaz o direito de acesso efetivo à informação pública. Nesse sentido, ratificou a solicitação sob ameaça de recorrer a instâncias judiciais. "Em caso de persistir o silêncio, a omissão, a entrega parcial, o bloqueio técnico de arquivos ou a resposta meramente aparente, reservo-me o direito de promover as vias administrativas, judiciais e de controle correspondentes por descumprimento, obstrução, dilação ou restrição indevida do direito constitucional de acesso à informação pública", advertiu. A Lei N° 5282 regulamenta o artigo 28 da Constituição Nacional do Direito a se Informar. Em seu artigo 2, a normativa estabelece quais são as fontes públicas e em seu inciso i contempla as comissões mistas e entidades binacionais, cujas autoridades "deverão garantir o efetivo exercício do direito das pessoas a solicitar e receber informação pública das mesmas".
Em 2014, a EBY havia apresentado uma ação de inconstitucionalidade contra esta lei, alegando que a binacional é o resultado de um tratado internacional e que portanto tem maior hierarquia que uma lei.
Desperdício. Uma investigação de ÚH demonstrou que quase 100 funcionários da EBY percebem salários superiores ao presidente da República Santiago Peña. A remuneração do diretor do lado paraguaio, por exemplo, ascende a mais de G. 126 milhões. Entre os beneficiários de polpudos salários se encontram dirigentes colorados e clãs familiares de integrantes do cartismo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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