Um robô revela o segredo de como alguns peixes conseguem se deslocar fora da água
Uma ampla gama de espécies de peixes não aparentadas desenvolveram de forma independente o mesmo padrão básico de marcha, que imita um movimento de natação em terra e que foi descoberto por uma equipe de pesquisadores que criaram um robô 'pez andante', em combinação com modelos computacionais baseados em observações.
A equipe encabçada pela Universidade de Cambridge (Reino Unido) denominou esse padrão 'marcha ondulante em tripé' e demonstrou com um pequeno robô que é o mais eficiente para esses animais, segundo um estudo que publica Nature Communications.
A marcha ondulante em tripé é mecanicamente simples e consiste em ancorar o corpo com uma nadadeira dianteira ou a cabeça, enquanto se utiliza a cauda para impulsionar o corpo para frente ao redor desse ponto de ancoragem.
A equipe criou um modelo computacional baseado, entre outros, nos movimentos do bichir cinzento (Polypterus senegalus) e as simulações sugeriram que as espécies compartilham os mesmos princípios básicos de movimento.
O passo seguinte foi construir um robô pez para validar esses resultados, com o qual também se demonstrou que a marcha permanece funcional em uma ampla variedade de formas corporais.
'Testamos todo tipo de formas de andar com o robô e todas as demais que testamos eram mais lentas. Cada vez que mudávamos a forma em que o corpo se dobrava, ou a sequência em que se dobrava, o resultado era pior', detalhou Michael Ishida, um dos autores do artigo.
Para Ishida, 'foi surpreendente que o padrão de movimento ótimo na simulação e no robô coincidisse com o que realmente fazem os peixes'.
Os autores também sugerem que essa convergência no estilo de locomoção reflete limitações mecânicas comuns a todas as espécies, mais do que uma origem ancestral compartilhada.
O deslocamento em terra desses peixes pode parecer desajeitado e desprovido de coordenação, mas é uma das soluções mais antigas da vida para um problema: como escapar dos predadores ou se deslocar de um habitat para outro sem ter membros especializados, destacou a Universidade de Cambridge.
Embora sejam muito mais eficientes na água, dispor de um modo adicional de locomoção que podem utilizar quando necessário representa uma vantagem evolutiva.
'Se você tem a capacidade de caminhar por terra e seu predador não, então você pode escapar e, com sorte, o predador seguirá seu caminho', além de dar a oportunidade de se deslocar de um ambiente de águas rasas para outro, destacou Ishida.
O pesquisador colaborou com biólogos e paleontólogos para estudar como caminham os peixes modernos e se esses resultados poderiam ser utilizados para ajudar a determinar como os peixes antigos fizeram a transição da água para a terra.
Os trabalhos futuros nessa área poderiam ser aplicados a peixes fósseis como o Tiktaalik, um elo fóssil importante na transição da água para a terra.
Uma combinação similar de modelos computacionais e robótica poderia ajudar a determinar como essas espécies antigas começaram a caminhar por terra.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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