Um paciente grave e a odisseia para conseguir uma tomografia
A odisseia de conseguir atendimento médico especializado no sistema de Saúde Pública ganhou um capítulo dramático e crucial com o caso do ex-governador de Central Hugo Javier González Alegre, que se encontra hospitalizado em estado crítico, mas que perdeu tempo fundamental após ser encontrado inconsciente em sua cela no presídio La Esperanza em Tacumbú.
O ex-locutor e político realizou um longo percurso de mais de 9 horas na busca por um tomógrafo e sua posterior internação em uma sala de terapia intensiva no Hospital Nacional de Itauguá. Tratam-se de horas decisivas para o estado de saúde de um paciente grave.
Segundo um informe cronológico realizado pelo Monumental, Hugo Javier ingressou às 23h15 do domingo passado no Hospital General de Barrio Obrero em estado grave com perda de consciência, convulsões e um hematoma frontal esquerdo, necessitando de uma tomografia urgente que este centro de atendimento não possuía.
Após descartar opções próximas pela falta de equipamentos ou avarias, o paciente em estado crítico foi trasladado ao Hospital General de San Lorenzo (Calle'i), local onde ingressou às 04h53 para o exame.
A hora visível nos vídeos da tomografia é aproximadamente 04h53 da madrugada; porém, segundo a medicina legal, esse dado ainda deve ser confirmado. Isto porque não possuem dados do referido hospital sobre a realização do exame especializado.
Posteriormente, às 05h30, novamente Hugo Javier foi trasladado em uma ambulância até o Hospital de Barrio Obrero, sedado e ventilado.
Finalmente, entre 07h40 e 08h45, completou-se seu traslado e ingresso na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Nacional de Itauguá, onde atualmente segue hospitalizado em estado delicado, com um quadro de meningite, segundo o informe do diretor do hospital, doutor Miguel Ferreira.
Sobre o percurso. Acerca da odisseia nas primeiras assistências médicas ao paciente grave, o diretor de Estabelecimentos Penitenciários Rubén Peña indicou que Hugo Javier foi levado até o Hospital do Trauma e, posteriormente, retornou a Barrio Obrero; porém, essa informação foi descartada.
O diretor do Hospital de Barrio Obrero, Adán Godoy, confirmou que a tomografia finalmente foi realizada no Hospital General de San Lorenzo, Calle'i, a cerca de 17 quilômetros.
E a pergunta a respeito é inevitável: Por que foi necessário percorrer essa distância com um paciente em semelhante estado e não se considerou como primeira opção o Hospital do Trauma, a cerca de 4 quilômetros de Barrio Obrero?
Porque apesar de existirem outros hospitais mais próximos, assim como Barrio Obrero, eles não possuem tomografia. São eles: Hospital de Lambaré, localizado a cerca de 7 quilômetros, assim como o Hospital San Pablo, a cerca de 9 quilômetros, que possui tomografia mas não está funcionando. Também está o Hospital de Villa Elisa, localizado a cerca de 12 quilômetros, mas que também não possui tomógrafo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.