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Sociedade

Um dia para agradecer a magnitude e o valor dos cuidados das mães

15/05/2026 11:00 4 min lectura 0 visualizações

No Paraguai, 39% das mulheres são chefas de lar, ou seja, sustentam sozinhas sua família, lideram a família e a mantêm.

Há 37% delas que são casadas, 31% que vivem em união e 18% que são solteiras. No entanto, independentemente de sua condição, continuam sendo as encarregadas do cuidado dos filhos e do lar.

Dados do Instituto Nacional de Estatística sobre a taxa combinada de subocupação e desocupação da população de 15 anos ou mais apontam as mulheres como maioria, 11,56% versus 6,93% dos homens. Esta, porém, não é a única disparidade que se destaca; ainda que pequena, nota-se no percentual de população que sabe ler e escrever (96,05% para as mulheres e 96,83% para os homens), também se nota na média de renda mensal (em milhares de guaranis) na ocupação principal da população ocupada entre 16 anos e 18 anos de estudos: 4.403 para as mulheres e 5.841 para os homens. As mães paraguaias integram a força de trabalho e assumem cotidianamente a dupla jornada. Seu papel é fundamental na sociedade, mas o valor de sua contribuição está invisibilizado. E há nos dados do Instituto Nacional de Estatística um valor sobre a proporção do tempo dedicado ao trabalho não remunerado (doméstico e de cuidados) que é muito significativo: as mulheres dedicam 61,27%, e os homens 25,26%.

O trabalho das mães é invisível. As tarefas de cuidado e criação dos filhos, de lhes dar afeto, organizar e administrar o lar; elas ensinam, cuidam de filhos doentes, cozinham, transmitem valores, e basicamente preparam os filhos para sair ao mundo. Nenhuma dessas tarefas é remunerada nem reconhecida.

Como aponta o Fórum Econômico Mundial em seus documentos, a economia do cuidado está no núcleo do crescimento, bem-estar e desenvolvimento porque sustenta a atividade humana para as gerações atuais e futuras. E estima-se que o trabalho de cuidado não remunerado, se fosse compensado, representaria 9% do produto interno bruto (PIB) global, equivalente a 11 trilhões de dólares. Somente na América Latina, representaria entre 15,7% e 24,2% do PIB regional, o que o tornaria um dos maiores contribuintes para a economia acima da maioria das outras indústrias individuais.

O cuidado é o que faz com que quem trabalha possa fazê-lo porque há alguém cuidando das crianças, adultos maiores ou seres queridos que precisam de cuidado; se ninguém fizesse este trabalho de cuidado, como funcionaria a sociedade?

Não há razões, apesar das aparências, para o desespero. No Paraguai, no ano passado ocorreu um fato histórico que, sem dúvida, vale mais que poemas e flores para as mamães em seu dia.

Pela primeira vez, um Tribunal da Infância e Adolescência considerou o "custo de criação" e a "perda de oportunidade" por parte da mãe, ao ter que cuidar de seu filho para aumentar o valor da pensão alimentícia que o pai da criança deveria pagar.

O desembargador Guillermo Trovato, que foi o relator, explicou que, no processo, foi comprovado que o pai quase não tem contato com o filho, razão pela qual a criação está totalmente a cargo da mãe.

Afirma o funcionário que nem tudo é dinheiro na criação.

"Claro, é muito importante porque com isso se compra alimentos e medicamentos, mas o outro custo invisibilizado é, quanto custa criar uma criança? E me refiro a o dia todo. Dar medicamentos, cuidar dela, banhá-la, alimentá-la. São tarefas que exigem muita paciência e dedicação".

Para Trovato, custo de criação são milhares de itens: fazê-la dormir, ler histórias porque têm medo; acordá-la de manhã, higienizá-la para ir à escola e chegar a tempo de tomar café da manhã, fazer as tarefas. É sentar duas ou três horas, deixar o telefone, o futebol, o que for, e sentar com seu filho. É o custo de criação, que não é necessariamente dinheiro, mas dedicação.

E isso é o que vem sendo reconhecido.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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