Trump dá por terminada a trégua com Irã em meio a fortes ataques mútuos e diz que não quer negociar com "escória"
O acordo de alto o fogo com o Irã "chegou ao fim". Essas foram as palavras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declarações anteriores à cúpula da OTAN que se realiza esses dias na Turquia e após a troca de ataques entre ambos os países.
Trump qualificou os líderes iranianos de "escória" e "loucos", e disse que os negociadores estadounidenses podiam continuar as conversações "se quisessem", mas que considerava "uma perda de tempo" tratar com a parte iraniana.
"Já não quero tratar com eles; são escória", declarou o presidente estadounidense durante uma cúpula da OTAN na Turquia. "São gente doente, estão dirigidos por gente doente... Pelo que me diz respeito, isso acabou".
À noite de terça-feira, os Estados Unidos informaram que havia atacado mais de 80 objetivos iranianos após as agressões contra três petroleiros no estreito de Ormuz. O Irã não reivindicou diretamente a autoria dos fatos.
Em resposta, o Irã declarou que estava atacando instalações militares estadounidenses no Bahrein e no Kuwait.
No mês passado, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento de 14 páginas com o objetivo de prorrogar o alto o fogo e pôr fim ao conflito "em todos os frentes".
Um acordo que, segundo Trump, estaria rompido agora. "Chegamos a um acordo. Eles [Irã] saem, falam com a imprensa e dizem: 'Nem sequer falamos sobre isso'. Algo os atinge. Estão loucos. Por minha parte, acabou".
Os Estados Unidos também anunciaram que tinha revogado a suspensão temporária das sanções às vendas de petróleo iraniano.
Os preços do petróleo dispararam cerca de 6% após os comentários de Trump, o que prejudicou o ânimo em outros mercados financeiros, embora ainda estejam muito abaixo dos máximos alcançados durante o fechamento total do estreito de Ormuz, uma via marítima chave.
Os Estados Unidos e o Irã retomaram os combates à noite de terça-feira e durante a madrugada de quarta-feira, no pior intercâmbio desde que assinaram um acordo provisório em junho.
O porta-voz do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de descumprir seu Memorando de Entendimento (MdE) sobre este e outros assuntos, incluindo os ataques no sul do Irã e a "violação dos acordos iranianos no estreito".
"A era do assédio e da extorsão terminou. Não leva a lugar algum. Não nos rendemos", afirmou.
Não é a primeira vez que se produzem ataques após a assinatura do memorando de entendimento em 17 de junho.
Os Estados Unidos lançaram ataques em 25 de junho depois que um projétil iraniano impactou um navio de carga no estreito de Ormuz, ao que os Estados Unidos responderam com uma série de bombardeios contra o Irã. Para 29 de junho, ambas as partes acordaram cessar as hostilidades.
Um dos 14 pontos do Memorando de Entendimento é o "cessar-fogo imediato e permanente das operações militares em todos os frentes".
Ambas as partes tinham continuado as negociações sobre os termos para pôr fim de forma definitiva à guerra, mas as conversações se interromperam durante as cerimônias fúnebres celebradas no Irã e no Iraque em honra ao falecido aiatolá Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia dos ataques estadounidenses e israelenses contra o Irã.
Esta quarta-feira estão sendo celebradas cerimônias no Iraque, e quinta-feira terão lugar os ritos funerários e o enterro em Mashhad, no nordeste do Irã.
Não está claro quando se retomarão as conversações após esta última rodada de ataques.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.