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Internacional

Venezuela: edifício de três andares que resistiu aos terremotos de junho

Construção com design estrutural apropriado permanece intacta enquanto arredores se transformam em ruínas após tremores de magnitude 7,2 e 7,5

08/07/2026 11:16 3 min lectura 10 visualizações
Venezuela: edificio de tres pisos que resistió los terremotos de junio

Um edifício que resistiu à devastação

Em uma quadra convertida em ruínas, um modesto edifício de três andares permanece em pé. No estado La Guaira, um popular balneário localizado a cerca de 40 km de Caracas, registrou-se o maior impacto dos dois violentos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorridos em 24 de junho, que causaram mais de 3.500 óbitos na Venezuela.

As Residências Puerto Viejo, localizadas próximas ao aeroporto internacional de Maiquetía, estão cercadas por montanhas de escombros. O engenheiro Elías Eduardo Chayeb, de 37 anos, que participou da construção do edifício ao lado de seu pai Elías Chayeb, de 86 anos, expressou seu alívio ao vê-lo em pé. "Vinha por todo o caminho vendo destruição, quando vi este em pé, dei graças a Deus", comenta.

O edifício possui três andares e seis apartamentos. Suas janelas, escadas e colunas encontram-se intactas. Embora algumas paredes apresentem rachaduras, suas bases permanecem firmes e nenhum ocupante sofreu lesões. "O edifício passa no exame", aponta o veterano arquiteto, que conta com mais de 400 obras realizadas em sua carreira.

Design estrutural pensado nos riscos sísmicos

Elías Chayeb, arquiteto estruturista com mais de seis décadas de experiência, recusou-se durante seus anos ativos a construir edifícios muito altos porque considerava que não eram apropriados para os solos de La Guaira. "A altura teve muito a ver aqui, esses 'metros' a mais ou a menos mudaram nossas vidas", expressou.

O estado costeiro enfrentou em 1999 um dos piores deslizamentos de sua história. Edifícios residenciais de grande porte e hotéis colapsaram em segundos enquanto fissuras irregulares se abriram na terra. Segundo especialistas, a maioria sucumbiu sem dar oportunidade de fuga a seus ocupantes, o que reflete negligência em várias construções.

De acordo com os princípios estruturais aplicados, os edifícios deveriam rachar para liberar energia durante um sismo sem desabar, permitindo tempo para evacuações.

Terrenos instáveis e riscos geológicos

No litoral de La Guaira, os terrenos em sua maioria são instáveis. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou que o duplo sismo originou-se em um sistema de falhas geológicas que se "estendeu para o leste até Caracas e La Guaira".

"Essa falha ninguém elimina", avisa Elías Chayeb. O arquiteto recomenda que "é preciso revisar completamente a zonificação" na região.

Chayeb afirma ter rejeitado ofertas de projetos que implicavam edificações superiores a seis andares devido ao risco "tácito" de terremotos como o ocorrido em 1967, que impactou com força Caracas. "Muitos dos edifícios que me propuseram e rejeitei desabaram", aponta ao referir-se a estruturas de mais de 10 andares que desmoronaram em uma colina com vista ao Mar do Caribe.

A magnitude dos terremotos foi tal que modificou o leito marinho em La Guaira. "É preciso tomar decisões com essas variáveis", adverte Elías Eduardo.

Esperança na reconstrução

Ingrid Palacios, de 61 anos, saiu ilesa junto a seus vizinhos e família das Residências Puerto Viejo. "Este edifício aguentou o baque, se veem ao redor os demais não aguentaram", comenta.

La Guaira, como era conhecida antes do sismo, "desapareceu". Com vistas ao futuro, Palacios espera que a reconstrução considere estruturas mais modestas: "Agora vai ser uma nova Guaira, agora vão ser edifícios de três andares, 'casinhas', coisas muito pequenas, já não vão ser edifícios de oito andares, onze andares, quinze andares".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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