Tragédia no Nepal cobra 400 vidas e há 1.470 desaparecidos
Equipes de resgate buscavam nesta quinta-feira ao menos 1.468 desaparecidos na fronteira entre Nepal e a região autônoma chinesa do Tibete, após as repentinas inundações e deslizamentos de terra que deixaram ao menos 392 mortos e pueblos inteiros arrasados.
Mais de 24 horas depois da catástrofe, um especialista advertiu do risco de novas inundações depois que uma enxurrada de força arrebatadora similar à de um tsunami arrasou pueblos inteiros, engoliu casas e derrubou pontes e represas.
Torrente de lodo mortal. Um aterrorizante vídeo de vigilância tomado do lado chinês mostra como, na quarta-feira pela manhã, uma torrente de lodo e escombros englutiu um edifício de vários andares enquanto dezenas de pessoas corriam para salvar suas vidas.
As autoridades de Nepal recuperaram os corpos de 389 pessoas e há 910 desaparecidos, incluindo 517 turistas estrangeiros.
Do lado chinês, na região do Tibete, onde está vedado o acesso à imprensa estrangeira, os meios estatais reportaram três mortos pelo desastre causado por "aludes de lodo" na passagem fronteiriça de Gyirong e informaram que há 558 pessoas desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros.
Arrasou com pueblos. A enchente varreu em Nepal o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital.
"Tudo acabou", declarou à AFP Omkar Joshi, de 35 anos, refugiado nas colinas da localidade nepalesa de Timure. "Já não é mais que um gigantesco cemitério. O único que resta é areia e pedras empapadas de sangue humano".
A inundação atingiu Syabrubesi, o ponto de partida da popular rota de trilha de Langtang, bem como outras zonas utilizadas por viajeiros para a peregrinação hindu a Kailash Mansarovar.
Em Syabrubesi, Laloma, de 27 anos, relatou à AFP que passou toda a noite em uma escola com uma centena de pessoas.
"Todo o resto (do pueblo) desapareceu", afirmou.
Entre os estrangeiros desaparecidos há dezenas de peregrinos hindus que se dirigiam ao monte Kailash, a montanha sagrada e nevada do Tibete.
Segundo a contagem preliminar da Oficina de Turismo do Nepal, as autoridades seguem sem notícias de 178 cidadãos da Índia, 90 dos Estados Unidos, 53 da Ucrânia, 51 da Malásia, 35 da Austrália, 33 do Reino Unido e 25 do Canadá. Espanha informou que há quatro cidadãos seus não localizados.
A Chancelaria chinesa indicou por sua parte que havia aproximadamente cem cidadãos chineses desaparecidos no lado nepalês.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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