Uruguai despede Rubén Rada dançando uma bela plena
Quando eu morrer / Não quero choro nem pena / Prefiro que me velem / dançando uma bela plena, indica a letra de Muriendo de Plena, uma das canções mais reconhecidas do músico uruguaio Rubén Rada.
O desejo do cantor, compositor e percussionista falecido em Montevidéu aos 83 anos se cumpriu durante seu velório. A canção que faz parte do álbum Quién va a cantar tocou e colocou para dançar os seres queridos do artista que em 2011 recebeu um Grammy pela Excelência Musical.
Em vários momentos as pessoas dançaram ao som da plena uruguaia, um dos gêneros musicais mais populares do país que funde a plena porto-riquenha com ritmos de salsa e adaptações locais.
Homenagem no Palácio Legislativo
Nas primeiras horas da tarde desta quinta-feira, as portas do salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo de Montevidéu se abriram para que os uruguaios despedissem o artista conhecido mundialmente como o negro.
Entre as mensagens que deixaram por escrito quem o visitou havia agradecimentos por sua alegria e promessas:
Negro querido: serás eterno como o tempo e florescerás em cada primaverae
Rada: sempre estarás na música que acompanha teu povo.
Dentro do local se encontravam sua esposa e seus três filhos, que estiveram acompanhados por diferentes personalidades que foram chegando até o recinto.
As pessoas ingressaram na sede do Parlamento para despedir o cantor e deixar oferendas como flores. Entre estas se pôde ver uma maçã, gesto que foi destacado pela ex-vice-presidente Lucía Topolansky, viúva de José Pepe Mujica, que contou que Las Manzanas é sua canção preferida do reconhecido artista.
Eu sou tanguera, como sempre digo, mas o dia em que ouvi essa canção me caiu a ficha de que havia alguém genial que estava cantando outra coisa. A partir daí comecei a segui-lo, pontualizou a viúva do ex-presidente.
Momentos emotivos
Um dos momentos mais emotivos da jornada se deu quando o volume dos alto-falantes se elevou e começou a tocar a canção Blumana.
Toca che negro Rada / Toca grita a torcida / Toca e canta tranquilo / Que aqui não passa nada, cantaram os próximos ao ícone musical, movidos por uma toada que é inevitável dançar.
Entre os artistas que se aproximaram para acompanhar a família se encontravam o cantor argentino León Gieco, o músico argentino Ricardo Mollo e a cantora e atriz uruguaia Natalia Oreiro.
Abraçados, os seres queridos de Rada cantaram depois Muriendo de Plena, a reconhecida canção em que o uruguaio expressou que quando morresse não queria as pessoas vestidas de preto. Ao mesmo tempo foi coreda por quem esperava nas escadarias do Palácio Legislativo para ingressar.
O presidente uruguaio, Yamandú Orsi, que chegou ao Palácio Legislativo junto a sua esposa para acompanhar a família de Rada, destacou esse momento em diálogo com a imprensa e assegurou que dessa forma se cumpriu com um pedido do cantor, consolidando assim uma homenagem que refletiu a importância do músico na cultura latino-americana.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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