Terminei sendo acusado por fiscais de dudosa autonomia
Arnoldo Wiens defende sua candidatura presidencial e questiona irregularidades no Ministério Público
Com a atenção voltada para as eleições de 2028 e um processo judicial em andamento, Arnoldo Wiens afirmou que sua candidatura presidencial está crescendo. Disse que a unidade colorada não deve ser construída "contra alguém", mas em torno de propostas para o país. Também questionou as imposições dentro do Partido Colorado e reclamou uma ANR "mais aberta e plural". Afirmou que existe uma liderança "frustrada, adiada e ignorada" e considerou inevitável uma renovação de lideranças.
–Você recusou o fiscal geral Emiliano Rolón e os fiscais do caso, acusando-os de irregularidades. Considera que o Ministério Público está atuando em perseguição política direta contra você?
–Os fatos falam por si só e por isso recorremos a todos os mecanismos que a lei estabelece. O que questionamos não é simplesmente uma resolução desfavorável. Estamos denunciando irregularidades que minha defesa considera graves e que deverão ser examinadas pelas instituições correspondentes. É no mínimo curioso que uma causa de tantos anos adquira semelhante impulso precisamente quando minha candidatura começa a se consolidar politicamente. É inexplicável como três peritos internacionais de altíssimo nível, na decisão da Corte Permanente de Arbitragem, que resolveu a controvérsia sobre o caso Metrobús, tenham considerado absolutamente legal minha atuação e qualificado de maneira severamente negativa as gestões da administração anterior, mas eu tenha terminado sendo acusado por fiscais de dudosa autonomia. Não vou me esconder. Vou fazer uso de todos os recursos que a lei me garante.
–Que opinião tem sobre eventual candidatura de Horacio Cartes ao Senado?
–É uma decisão que lhe compete, em todo caso. As candidaturas que estejam de acordo com as regras de jogo têm o direito de correr e competir. Quando objetamos candidaturas no passado, desde o espaço político e ideológico do qual me sinto parte, não foi porque quiséssemos impedir a participação, mas porque se pretendia alterar a ordem constitucional para favorecer uma única pessoa, como no caso da emenda de fogo. Vamos dedicar nosso tempo e energia a construir uma candidatura orientada a resolver os conflitos sociais.
–Se forem habilitados os mecanismos para que ex-presidentes possam assumir uma senadoria ativa, Mario Abdo Benítez também poderia candidatarse?
–Não conversei com ele a respeito. Como em toda questão relacionada com a competência política, creio que deve-se cumprir o marco legal. Ainda que o Poder Judiciário tenha permitido que ex-presidentes da República se apresentem como candidatos ao Senado, Mario Abdo atuou conforme sua interpretação de que os constituintes conceberam para os ex-presidentes a condição de senadores vitalícios, desde a qual podem contribuir com a nação. A interpretação da Constituição não pode depender do nome da pessoa a quem possa beneficiar ou prejudicar. Por isso, penso que este tipo de discussão deve ocorrer à margem de qualquer interesse particular.
–Como observa a interna da ANR de cara às eleições de 2028?
–Vejo uma interna aberta, com vários correligionários que aspiram à pré-candidatura à presidência da República. Acredito que uma interna se destaca quando há uma competência ampla e limpa, mas também uma confrontação vigorosa de ideias. Sinto que a ANR tem a responsabilidade histórica de propor um projeto que suponha pensar o país a longo prazo e que estabeleça as bases para aperfeiçoar nosso novo modelo de desenvolvimento econômico-social, mediante o desenho de novas políticas que, sem colocar em risco os êxitos alcançados nas últimas décadas, permitam maior bem-estar para o povo. Estamos percorrendo o país. Ouvimos a gente. Queremos construir a melhor proposta de governo para responder às necessidades da gente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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