Sobreviveu ao sequestro de Óscar Denis: O peão Adelio Mendoza relembra os últimos dias ao lado dele
Na quarta-feira, 9 de setembro de 2020, por volta das 15h00, Óscar Denis e seu funcionário Adelio Mendoza retornavam de um retiro em direção ao casco urbano da estância Tranquerita, em Bella Vista Norte.
Ambos se deslocaram para atender a um trabalhador que havia sofrido um acidente, após a esposa do homem avisar Denis sobre o ocorrido.
Quando estavam a aproximadamente cinco quilômetros do casco urbano, ao se aproximarem de um dos portões, foram emboscados por integrantes do autodenominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP), que os obrigaram a descer da camioneta.
Adelio Mendoza presenciou tudo. "A mim me afastaram uns 15 metros e ficaram conversando com meu patrão por uns 30 minutos. Eu não escutei o que diziam. Depois, como se vinha um caminhão, nos obrigaram a caminhar em direção à mata", relata.
Segundo seu testemunho, ambos foram obrigados a se internarem na mata e caminharam durante várias horas. Durante o trajeto, Denis começou a ter sérias dificuldades para se deslocar e caiu várias vezes.
"Eu o ajudava a levantar. Caminhava com muita dificuldade e ao final esses 'vaichos' já lhe disseram que se ficasse nomás", recorda.
Ao chegar a noite, os sequestrador instalaram duas redes para que ambos pudessem descansar. No dia seguinte continuaram a marcha até chegar a um acampamento, onde permaneceram durante outros cinco dias.
Mendoza apontou que durante esse tempo recebiam principalmente amendoim e água. Segundo relatou, Denis praticamente não comia e constantemente pedia água, embora o líquido tivesse um sabor desagradável.
O estado de saúde do ex-vice-presidente começou a se deteriorar rapidamente. "No terceiro dia já o via mal. Tossía muito, tinha secreção e estava mais prostrado", comenta o trabalhador.
Durante seu cativeiro, Denis teria manifestado que seus captores buscavam dinheiro e que pretendiam que a família vendesse animais para pagar por sua libertação.
O peão também recorda que, no segundo dia, três dos integrantes do grupo armado se ausentaram do acampamento, aparentemente para se deslocarem a outro local e entregar panfletos relacionados ao sequestro.
Em outro momento, o chefe do grupo armado, identificado por Mendoza como Esteban Marín, teria lhe manifestado que naquela noite chegariam à estância porque, segundo suas palavras, "já estava decidido".
No quinto dia ocorreu a separação que marcaria para sempre a vida de Adelio Mendoza.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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