Sitrande vincula a saída de Félix Sosa com recusa a tarifas preferenciais para Atome Energy
Perspectiva do sindicato sobre a mudança de autoridade
Adolfo Villalba, representante da Sitrande, expressou que a designação do novo presidente da ANDE foi recebida com surpresa, considerando que o anterior presidente Félix Sosa não autorizou um acordo baseado em decretos específicos. Indicou que foi designado como novo titular um ex-funcionário que se aposentou há um ano.
"Tomamos isso com surpresa pela metade (essa notícia da mudança) porque como sabemos, em seu momento, o presidente (Félix Sosa) não quis assinar o acordo com base nos decretos e claramente esperaram que baixasse a maré e agora lhe trocam", manifestou Villalba em contato com a Rádio Monumental 1080 AM.
Preocupações sobre a nova direção
Villalba expressou preocupação com a nova administração da ANDE. Apontou que ainda não mantiveram diálogos com o novo presidente e desconhecem se virá com instruções que possam afetar os interesses dos trabalhadores e da instituição.
"Estamos preocupados, ainda não falamos com o novo presidente, não sabemos se vem com ordens de regalar a energia ou não, tomara que não seja assim, senão vamos voltar a sair às ruas", expressou.
Quanto a outros possíveis motivos da saída de Sosa, Villalba indicou que desconhece problemas públicos que justifiquem a mudança. Sugeriu que o deterioro na relação com o Executivo e pressões de senadores possam ter influenciado na decisão.
Posição sobre tarifas para Atome Energy
O sindicalista reiterou a oposição da Sitrande ao acordo com a empresa Atome, que implicaria em uma tarifa preferencial. Explicou que o decreto foi concebido exclusivamente para esta empresa, outorgando-lhe condições de privilégio que consideram prejudiciais.
"Estamos contra da maneira em que se quer contratar a tarifa para que alcance o dinheiro e feche seus números com o banco. Estamos falando que vamos subsidiar para que eles (Atome) ganhem dinheiro e a partir daí vemos que vai ser muito prejudicial para a ANDE", assegurou.
Análise de impacto tarifário
Villalba sublinhou que a ANDE se aproxima do consumo máximo das hidrelétricas e que em qualquer momento poderia necessitar um reajuste tarifário. Questionou como a instituição poderia justificar aumentos de tarifas à população se proporciona energia muito barata a uma empresa estrangeira.
Detalhou que a tarifa atual para consumo eletrointensivo situa-se em USD 44 por megavatt-hora, enquanto Atome solicita uma tarifa fixa de USD 30 por megavatt-hora durante 15 anos sem modificação.
"E com que cara a ANDE vai apresentar isso para a gente, quando está dando a energia muito barata a uma empresa estrangeira? Por isso, saímos contra (essas tarifas preferenciais) e nenhum expert está a favor", reafirmou.
Questionamento sobre garantias tarifárias
Villalba afirmou que não existe precedente internacional que garanta um preço fixo durante 15 anos. Pontualizou que a ANDE manteve tarifas previsíveis, realizando ajustes em 2002 e posteriormente em 2017, após 15 anos de estabilidade.
Argumentou que se se outorgam garantias de preço fixo a uma empresa, deveria se considerar o mesmo tratamento para outras companhias. Concluiu que a previsibilidade de tarifas não pode justificar acordos que outorguem privilégios exclusivos a uma organização específica.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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