Sistema de saúde da Venezuela enfrenta desafios críticos após terremoto de magnitude 7,5
Emergência sanitária sem precedentes
Desde a quarta-feira, as infraestruturas médicas da Venezuela enfrentam uma prova de proporções extraordinárias após dois sismos consecutivos: um de magnitude 7,2 seguido apenas 39 segundos depois por outro de intensidade 7,5. Aos centenares de falecidos somam-se milhares de feridos de diversa gravidade, além de pessoas que permanecem sob os escombros à espera de resgate.
"O problema não é apenas que se trate de uma tragédia natural, mas que devemos reconhecer que a Venezuela se encontra no contexto de uma emergência humanitária complexa", expressou o doutor Pedro Javier Fernández, integrante da equipe Médicos Unidos pela Venezuela.
Carência crítica de suprimentos
A capacidade de resposta do sistema de saúde vê-se limitada por deficiências prévias. "Todos os nossos hospitais carecem de suprimentos, carecem de medicamentos; não somos capazes de fornecer atendimento médico à nossa população em um dia normal. Agora, com essa tragédia, a emergência é ainda maior", acrescentou Fernández.
Embora o Ministério da Saúde da Venezuela tenha ativado uma rede de oito hospitais públicos na Grande Caracas e ao menos uma dezena de clínicas privadas tenha se somado ao esforço, os centros operam em condições de saturação extrema.
O doutor Franklin Rodríguez, que se deslocou 30 quilômetros desde Caracas em direção a La Guaira para prestar assistência na região mais afetada, relatou sobre a situação crítica nos centros sanitários. "Existe uma escassez crítica de medicamentos e suprimentos médicos. Os centros sanitários não têm capacidade para atender o enorme volume de pessoas, e muitas delas continuam presas sob os escombros", assinalou.
Rodríguez descreveu os hospitais principais do estado La Guaira como "completamente transbordantes".
Hospitais requerem insumos básicos
Reportagens de meios de comunicação locais indicam que os centros sanitários solicitam aos pacientes que tragam seus próprios insumos médicos. Em alguns casos documentados, foi informado sobre hospitais sem existências sequer de medicamentos e materiais de curação elementares.
Testemunhos de pessoas que acessaram centros de emergência relataram experiências de saturação. "Estão colapsados. Não têm quase nada. Um tem que trazer as coisas. Pediram-me bacitracina, desinfetante para os pontos, gazes. Pediram-me que trouxesse até os analgésicos", descreveu uma pessoa ao referir-se à sua experiência na Unidade de Emergências do Hospital Domingo Luciani.
Pessoal médico dos hospitais relata dificuldades para manter registros adequados de pacientes devido à falta de recursos administrativos e de identificação.
Contexto de vulnerabilidade prévia
Os desafios atuais inscrevem-se em um contexto de enfraquecimento prolongado do sistema sanitário nacional. A combinação de infraestruturas deficientes com a necessidade imediata de atender milhares de casos de emergência multiplica a complexidade da resposta humanitária.
Organismos internacionais de saúde e equipes médicas locais continuam mobilizando recursos para atender a crise derivada dos eventos sísmicos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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