Senadores pedem revisão dos privilégios na EBY e cobram respeito à meritocracia
Vários senadores repercutiram a publicação do Última Hora sobre os altos salários e bonificações que são concedidos na Entidade Binacional Yacyretá (EBY) a parentes e amigos do poder, dos quais quase cem superam o que recebe o presidente da República, Santiago Peña (G. 37.908.800). Por sua vez, questionaram que tais privilégios sejam direcionados a quem não tem nenhum mérito ou não demonstra ter aptidões indispensáveis nem que ajudem o Estado tal como fazem os professores que ganham muito menos.
Para a senadora colorada dissidente Blanca Ovelar, são desmoralizantes os privilégios que expõem os amigos do poder na EBY. Reconheceu que acontece em todos os governos, mas não por isso se deve tirar a responsabilidade do atual.
"É certo que em todos os governos foram entrando amigos do poder nas binacionais, mas também é certo o que publicou o Última Hora, por se tiverem o jornal, saem os rostos dos que hoje têm salários por mais de cem milhões e que não se destacam justamente por seu talento, e não sabemos que talentos tenha uma estudante que estudou Engenharia e que não sei o que estuda agora para ganhar G. 40 milhões", indicou.
Acrescentou que para os professores em particular, esse privilégio e discriminação que se dá desde o próprio Estado, para quem sim contribui com um serviço fundamental para o país, é o que desmotiva.
"Isso desmoraliza, sobretudo o magistério ao mostrar que alguém que faz um trabalho muito menos relevante pode ganhar muito mais e no próprio Estado, que, às vezes, é avaro com a inteligência e é generoso com a mediocridade. Isso devemos revisar", disse. Instou a realizar uma "profunda revisão do Estado para eliminar esses privilégios".
O senador colorado dissidente Carlos Núñez indicou que Yacyretá cresceu notoriamente em funcionários já na "época de Nicanor Duarte Frutos e não só neste governo. Com Nicanor já havia 1.967 funcionários", apontou.
A senadora Yolanda Paredes colocou o dedo na ferida e apontou que a EBY é gerenciada pelo vice-presidente da República, Pedro Alliana.
"Hoje temos Itaipú e Yacyretá e o que fazemos, carregamos salários às esposas, às consuegras. Yacyretá, que hoje está a serviço de Alliana e com toda a parentela, e hoje mais que Itaipú é um maior desperdício... Hoje é uma agência de empregos e que benefícios trouxe a EBY à cidadania? Até quando vamos tolerar que a luz que pagamos seja a mais alta da região? E até quando vamos tolerar que a cada janeiro, a ANDE nos enfie uma conta espúria porque não é a conta que temos os paraguaios em nossas casas. Inventam faturas", apontou.
Em seu discurso, atacou de igual modo o governo de Peña por não renegociar a favor do país. Questionou que "Santiago Peña se passe viajando", mas que não fosse ao Brasil falar com seu homônimo Luiz Inácio Lula da Silva para renegociar o Anexo C "e obter uma tarifa justa por nossa energia, da qual somos soberanos", afirmou Paredes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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